7 de fev. de 2018

ZeroZeroZero

Oi!!!

      É muito estranho falar de não usar redes sociais usando uma rede social. Mas esse é exatamente o mote para esse texto. Afinal ser ativo em rede social não significa ser necessariamente ativo na vida. Eu tenho a sensação que o espaço entre dar uma curtida, mandar um coração ou até fazer um comentário é gigantesco entre o curtir, amar e conversar.



    Quase sempre estamos acompanhando a vida dos outros sem estar na vida dos outros efetivamente. Posso saber tudo o que alguém comeu, o que bebeu, onde esteve, com quem e fazendo o que sem ter um relacionamento com essa pessoa. Essa superficialidade me assusta um pouco. Já encontrei pessoas que me cobraram por não ter curtido algo que postou; como se aquilo dependesse a sua felicidade e a prova de nossa amizade. E quando chega nesse ponto é que vem à tona minha questão: O quanto as redes sociais são mais importantes do que a vida em si?

   O pior dessa situação é quando os comentários que se fazem em páginas alheias criam situações reais que geram desentendimentos e violência. Pois as pessoas acham que por estar num ambiente virtual nada acontece.

     Mas acredito que estamos chegando num ponto de saturação e a partir disso um retorno a vida real se faz necessário, assim como sair da caverna de Platão. E ver que a realidade é muito mais interessante do que o mundo virtual. Venha conhecer esse mundo onde não há curtidas, mas em compensação muito abraço.

     Sidnei Akiyoshi

8 de fev. de 2015

+ POLÍTICA

Oi!!!

   Confesso que me cansa discutir política com a maioria das pessoas. Pois além do unilateralismo pífio (pois isso não existe nas ideologias dos políticos brasileiros) há a discussão rasa de culpabilidade e responsabilidade. As pessoas querem mudar, mas não sabem o que. A maioria desconhece o sistema atual e menos ainda suas vicissitudes.



   Primeiro passo será a Reforma Política. Mas que reforma? Pois não basta mudar a forma como se elegem, mas a ideia do que é SER e FAZER política. Talvez o primeiro passo seja eliminar os resquícios do Coronelismo. Que temos como exemplo claro José Sarney. Ou seja, aquele que controla no âmbito municipal, estadual e tem forte influência no federal; e se perpetuam por toda uma vida na política e depois deixam suas crias continuarem. Isso pode ser amenizado colocando teto na atuação em cargos eletivos (teto de dois mandatos por exemplo, que juntando municipal+estadual+federal já são 24 anos).

   Outra mudança é o tipo de voto. O proporcional tem suas vantagens mas gera casos como a eleição em cadeia, como o caso do Enéias, que levou consigo para a Câmara mais 4 candidatos com votação inexpressiva. Talvez o voto Distrital ou Distrital Misto seja o mais apropriado. Pois garante que todo distrito tenha representantes proporcional ao seu tamanho. Por exemplo, se um Estado tem 10 cadeiras e seu estado tem 4 distritos, sendo a região metropolitana com 40% dos eleitores e os outros 3 com 20% cada, teríamos 4 candidatos eleitos na região metropolitana e 2 em cada um dos outros distritos. Além de revisar a quantidade de candidatos que cada partido possa colocar, além do coeficiente eleitoral, entre outros detalhes. E o que acho mais pertinente; o voto deveria deixar de ser obrigatório.

   E talvez o mais importante. O fim do financiamento privado às candidaturas. Que é o que mais gera corrupção. Isso em todas as esferas e partidos. Pois só com o financiamento público fica mais fácil fiscalizar, pois tendo X de dinheiro não pode contratar marqueteiros, fazer grandes produções, comprar meia página de jornal. É o candidato em cima do carro de som ou em frente a uma câmera falando de suas propostas e ponto.

   E para finalizar essa pequena introdução, pois nada é tão simples quanto parece, a diminuição da quantidade de cargos no legislativo. Já que a quantidade de leis que chegam para votação entre as apresentadas para apreciação não chegam a 2%. Ou seja, é muita gente sem fazer algo realmente útil.

Sidnei Akiyoshi

21 de jan. de 2015

O Rei está nu.

Oi!!!

   Gosto daquela história que dois alfaiates enganam o Rei dizendo que só os inteligentes conseguem ver a roupa que eles estão costurando, e tanto o rei como seus súditos fingem vê-la para não passarem por ignorantes. Desta história se pode tirar vária lições; sobre soberba, bajulação, ignorância, esperteza, malandragem, vaidade, entre outras tantas possíveis. Mas gostaria de falar sobre algo um pouco diferente, a nudez do Rei em si.



   Ser Rei não é fácil. Primeiro porque você tem que tomar todas as decisões. Sempre há a ajuda dos ministros e bispos, mas no final a decisão é sua. É para o resto de sua vida. Sim o cargo de Rei é vitalício. Tem que deixar descendentes, afinal, sua linhagem e seu legado têm que ter continuidade. Ou seja, mesmo nu, não perde a majestade. Sua cabeça continua com a coroa. Ela ignora o homem que existe sob ela. Mesmo ele existindo.

   Meu questionamento hoje parte desse princípio: o rei não tem escolha, é seu destino. Está fadado a isso. Mas pessoas comuns, como eu e você, não. Contudo criamos coroas que não nos pertencem e acreditamos fielmente que ela está sobre nossas cabeças. E desfilamos pelas ruas exibindo a todos a opulência que cravejamos com pedras preciosas em puro ouro. E todos a veem. Pois só os ignorantes veem. Enquanto isso o homem ignorado caminha carregando esse fardo que não lhe pertence.

   Sidnei Akiyoshi

8 de jan. de 2015

Escrever: uma necessidade.

   Oi!!!

   Começo 2015 com uma necessidade: escrever. Como dizia F. Scott Fotzgerald : "You don't write because you want to say something, you write because you have something to say.". Pois é, preciso escrever. Isso me faz bem. Isso me faz pensar. Isso me faz refletir.

   Esse será um ano atribulado para mim. É o ano do início de muitas coisas que farei nessa próxima década. Sim, eu faço planejamentos para 1, 5 e 10 anos. Como acabei meu planejamento da última década com saldo bastante positivo, essa próxima promete ser melhor. Mas como as demais postagens deste blog, isso não é um diário. É uma externalização de questionamentos sobre a vida cotidiana, contudo, caótica.


                                                    Cavalo de Atenas

   Eu particularmente prefiro externalizar tudo isso em imagens, pois para quem não sabe sou artista plástico, mas na dificuldade tempo-espacial que estou no momento esta é a expressão artística mais apropriada, tanto pelo veículo (escrita) como pelo gosto. Mas enfim, isso é só um oi. E para dizer que as postagens voltam quinzenalmente, sempre dia 07 e dia 21. Ok, esse primeiro está atrasado. Mas volte aqui sempre, até mais. 

Sidnei Akiyoshi

3 de fev. de 2014

Você é real?

Oi!!!

   Eu nem gosto de TV, muito menos de novela. Mas já gostei bastante, tanto de TV, quanto de novela. Eventualmente ainda assisto algumas coisas, mas basicamente documentários que falam da realidade e de filmes que falam de ficção. E tem um slogan sobre um festival de curtas que gosto muito: "Quando a realidade parece ficção, é hora de fazer documentários".



   Então eu te pergunto: Você se sente real? Real em todos os sentidos. Você tem uma vida ou faz o que é preciso fazer? Você realmente se importa com o próximo, ou só quando o próximo é igual a você. Pois ultimamente acho que estou dentro de uma ficção, daquelas bem baratas, com barbante segurando disco voador. Sabe, de mendigo que pede esmola em inglês a político que apresenta projetos de leis indignas. Tudo é muito ficcional para minha cabeça.

   É bem compreensivo a crise na arte. Pois se no século XX a arte chocava as pessoas mostrando a vida, hoje nada mais choca. Nada mais cria a catarse aristotélica necessária para a ruptura de paradigmas. Um homem degolar uma mulher numa discussão num bar gera  a mesma discussão que um pênalti. Entre tantas outras coisas que poderia citar aqui.

   A maioria das pessoas se prende em suas rotinas diárias e se escondem atrás de ficções, mas eu reitero a pergunta: você não acha que o nosso entorno está muito ficcional?

   Sidnei Akiyoshi

  

15 de jan. de 2014

Rolezinho: tô fora.

Oi!!!

   Nada como começar a ano com uma boa dose de contemporaneidade na veia. Dessa vez naquele ponto que acredito ser o mais nevrálgico na sociedade brasileira: a divisão das classes sociais.

   Sim estou falando dos tais "rolezinhos" que ocorreram em São Paulo e estão se alastrando por todo o país. Aquele bando de favelado que foi dar uma volta no Shopping Iguatemi. Eu poderia parar aqui, pois nesta frase já está descrito tudo o que li por aí nessa semana. Vamos fazer uma análise semântica: Aquele bando - bando já é uma quadrilha de malfeitores, acrescido do pronome aquele, gera distanciamento de quem fala. Favelado - é uma designação de pessoas de pouco poder aquisitivo que invadiram um terreno privado para construção de casa rústica, também muito associado a ladrão e sinônimo de maloqueiro. Foi dar uma volta - não tinham nenhum objetivo específico, apenas circular. Shopping Iguatemi - Local de compras conhecido por atender ao chamado público consumidor AA, ou seja, de maior poder aquisitivo. Ou seja, o sujeito não é compatível com o adjunto adverbial de lugar, ou vice versa.

   Com base nesse tipo de informação as pessoas começaram a tirar conclusões, baseados na velha temática sobre divisão de classes sociais e suas respectivas filosofias. Gostei do texto do Leandro Beguoci, onde ele desmistifica um pouco isso tudo e coloca um pouco de reflexão sobre o tema.

   Rolezinho sempre existiu, e isso não é exclusividade de quem mora em periferia, todos os jovens fazem isso (lembro que o point preferido da comunidade nipônica adolescente para o relezinho era o Shopping Paulista). A questão que aparece agora é que o jovem do Campo Limpo tem que fazer o rolezinho no Shopping do Campo Limpo (que é recente) e não no Shopping Iguatemi. Mas a questão é que o jovem do Campo Limpo quer a mesma coisa que o jovem dos Jardins, se diferenciar; como qualquer jovem inserido numa sociedade capitalista. E dar um rolê no Iguatemi o diferencia daqueles que ainda só dão um rolê no Campo Limpo. Pois as "regras" de quem pode ir ao Iguatemi não estão sendo quebradas, que é ter um tênis caro e original no pé e roupas de marca, além do bom e velho lanche no Mc Donald's.




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   A questão toda é que o pessoal dos jardins ainda não percebeu que esse pessoal da periferia hoje tem dinheiro para comprar objetos caros. E para o pessoal da periferia já não trás tanta ostentação assim andar com esses objetos por lá. E mais do que querer fazer parte dos endinheirados dos Jardins, esse pessoalzinho dos rolezinhos, querem mesmo é se diferenciar daqueles da periferia que não possuem esses objetos de valor; não diferem em nada de um mauricinho.

   Portanto, são aqueles que começam a ter algo querer ser o que há de pior daqueles que sempre tiveram.

   Rolezinho, tô fora!

   Sidnei Akiyoshi

6 de jan. de 2014

Ilha.

Oi!!!

   Começando o ano de 2014. Depois de uma pequena pausa de fim de ano voltamos com um pouco de filosofia de esquina para aqueles que vivem num rodovia.

   Quero retomar um pouco sobre o que é esse blog. Escrever sobre contemporaneidade. Mais especificamente, sobre o ser humano na contemporaneidade. Pois acredito que as pessoas insistem em acreditar que estão numa modernidade, ou seja, aquilo que se viva antes da segunda guerra mundial. Onde estavam aterrados com as primeiras guerras do século XX mas desejando que tudo ficasse como sempre foi, sem saber que tudo aquilo iria resultar nos horrores que foi a segunda guerra mundial. Passadas algumas décadas de silêncio/luto o ser humano achou que deveria mudar o paradigma do que é o ser humano. E tudo, principalmente as artes, culminaram com aquilo que foi o ano de 1968; paz, amor e revoluções sociais. E de puro moralismo passamos a uma certa libertinagem (social e moral) travestida de liberdade. E toda esta liberdade veio num crescente até chegarmos naquilo que acredito que seja a mais libertadora: a informação.



   Mas liberdade demais gera medo. E todos tentam viver suas liberdades individuais como uma piscina no meio de um lago sujo. Tudo até pode parecer normal, mas basta um gota a mais para que tudo se contamine. Portanto você até pode viver por um tempo em plácidas águas, mas chegará o momento em que o lodo chegará e todos terão que aprender a viver no barro num salve-se quem puder. Não há a necessidade de revivermos a segunda grande guerra, basta entendermos que o que para uns é piscina, para outros é água potável. E quando essas percepções de realidade mudarem talvez tenhamos as condições necessárias de voltarmos a sermos humanos num sentido mais platônico e menos hobbesiano.

   Sim, ainda acho que há esperança, e ela está nas artes. Mas cada vez mais as pessoas entendem menos. Até que uma nova Helena seja raptada, e o resto, vire história.

   Sidnei Akiyoshi

11 de dez. de 2013

3. O Homem Político.

Oi!!!

3 - O Homem Político.

   Quem tem quarenta, pegou na infância o final da ditadura. Já bem mais branda, mas com aqueles resquícios de ter que cantar o hino nacional toda semana e fazer aula de Educação Moral e Cívica (EMC) e Organização Social e Política Brasileira (OSPB). Tive a sorte de ter no Colégio (sim, estudei como bolsista em colégio particular), uma professora bem questionadora que me marcou bastante, pois até fizemos uma peça, Pássaros e gaviões de Chico Alencar; que tem o poema do Mario Quintana: "Todos esses que aí estão, atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho".

Quino


   Presencie as diretas já e o período de transição, encabeçado pelo Tancredo Neves, e que caiu na desgraça que foi o governo Sarney. Lembro que tirei dez no meu trabalho sobre a transição democrática, já na Escola Técnica Federal de São Paulo. Na primeira eleição para presidente não pude votar, eu fazia aniversário quatro dias depois das eleições, mas foi a primeira vez que participei ativamente na campanha, a famosa Lula-lá. Naturalmente já tinha uma tendência pela esquerda, apesar de meu pai ser um Malufista nato, defensor da ditadura militar.

   Logo depois participei en passant dos caras pintadas que culminou com o impeachment do Collor. Um tempo no exterior e na volta o amadurecimento do meu pensamento político. Eu tendo para um social democrata. E em tese o PSDB deveria ser meu partido, mas ele tendeu para uma direita neo liberal. E na época o PT, como oposição, era demasiadamente socialista.

   Veio o período de faculdade, a FFLCH-USP, assumidamente marxista. E apesar de teoricamente ser muito bom o marxismo socialista, assim como na República de Platão, ele requer homens bons. E aí eu concordo com Hobbes, que não existem homens bons, como ele diz: "O homem é o lobo do homem". E essa verdade no neo liberalismo talvez seja mais devastadora ainda.

   Finalizando, esse meu socialismo democrático, prevê uma distribuição de renda mais equilibrada, serviços básicos (educação, saúde, transporte, cultura, moradia) com qualidade e acessíveis. Como já trabalhei no serviço público consigo visualizar melhor o funcionamento e digo; a burocracia atrapalha um funcionamento mais eficiente de todos esses serviços, mas por outro lado, é ela que previne/ameniza as fraudes no âmbito público. Como consequência mais direta, ocorre o desperdício de trabalho, tempo e dinheiro; aumentando consideravelmente o custo do sistema público.

   Enfim, poderíamos até ter um sistema ditatorial bom, tanto de direita quanto de esquerda, contanto que tivéssemos governantes bons que fizessem bons governos. Mas eu prefiro a democracia e nela produzir homens mais próximos do homem e mais distantes do lobo.

Sidnei Akiyoshi.

6 de dez. de 2013

2. O corpo padece.

Oi!!!

   Seguindo os posts sobre o pós 40, vamos falar sobre algo bem palpável. O corpo.

   2. O corpo.

   Sim, o primeiro a sentir que os 40 anos chegaram é o corpo. Você olha no espelho e vê algumas rugas que não haviam, os primeiro cabelos grisalhos começa a aparecer, no meu caso já tenho desde os 30, mas agora estão começando a ganhar visibilidade, o que eu acho bem charmoso. Você aperta sua pela e ela começa a te mostrar o envelhecimento. Mas é no físico que aparecem os principais sinais. Antes você virava a noite, bebia todas e no dia seguinte bebia uma coca e um café e já tava novo, agora você fica uns dois dias se prometendo que nunca mais fará isso novamente, pois fica dias como um zumbi. Os exercícios também, antes você podia ficar semanas sem jogar bola, ia para uma chácara jogava o fim de semana todo e tudo bem. Hoje, se ficar sem a prática contínua de exercícios, uma corridinha já é motivo para dias seguidos de dor e paracetamol. Aqueles dias na praia sob o sol sem proteção também começar a dar o ar da graça, manchinhas na pele começam a pipocar, tímidas, mas você já sabe onde vão parar.



   Na antiguidade a barba era o sinal de que você efetivamente já era um homem adulto. Eu tenho pouca, mas só recentemente meu bigodinho ganhou forma. E apesar do modismo de barbados dos anos 10, é um sinal visível da maturidade (tá é preguiça mesmo de fazer todo dia). Mas é um período em que você para de pensar em pintar o cabelo de vermelho, de comprar roupas que o pessoal de 20 está usando e que comer o cachorro-quente da esquina já não é tão legal assim.

   Enfim, seu corpo precisa de outras coisas, um exercício menos puxado, mais eficiente e mais prazeroso, menos drogas (lícitas e ilícitas), ou melhor, outras drogas (comprimidos, pomadas, loções, etc), uma recauchutagem no que for preciso e por fim novos acessórios, pois você tá ficando velho mas não necessariamente menos estiloso. E claro, uma rotina com coisas que só a idade trás, como boas leituras, bons vinhos, bons passeios, boas conversas, boas trepadas, boas novas histórias, pois não saber como chegou em casa depois de uma noitada, já é meio batida.

Até mais.

Sidnei akiyoshi.

26 de nov. de 2013

1 - Kintsukuroi.

Oi!!!

   Hoje começo o primeiro de dez postagens sobre o pós-quarenta. Tentar colocar aqui um pouco do que aprendi e outro pouco do que espero.

   Começando com esse conceito japonês: Kintsukuroi:



  Reparar com ouro. Perceber que determinadas peças (porcelanas) são tão valiosas, que quando quebram, são reparadas com ouro.Ou seja, uma peça feita de barro tem tanto valor que o ouro é utilizado como argamassa.

   E aí vem a reflexão: o que é tão valioso na vida que mesmo quando quebrado merece ser reconstituído? A família? A amizade? As posses? O conhecimento? A honestidade? O caráter? Não posso deixar de reafirmar aqui que esse blog fala sobre contemporaneidade, ou seja, sobre o que estamos vivendo, mesmo que não entendamos direito o que se passa. Eu diria que a liberdade é nosso bem mais valioso. E não a liberdade stricto senso, mas a existencial. Estamos amarrados em inúmeras regras sociais que nem nos damos contas. Regras que decidem o que é uma família, como conquistar amigos, o que ter ou não ter, o que aprender, como se comportar, e por aí vai. Não que devamos criar uma anarquia e sair fazendo o que der na veneta, mas construir sua vida de acordo com aquilo que você acredita, mantendo um caráter reto. Pois sem caráter, a tendência é fazer pelo caminho mais proveitoso para si independente de terceiros.

   Assim, com livres escolhas, fica mais fácil encontrar os caminhos que levam a sua verdade. Consequentemente, a uma vida livre e mais perto da felicidade.

   Sidnei Akiyoshi.

20 de nov. de 2013

Ok. 40. E agora?

Oi!!!

   Ontem fiz quarenta anos. Então, e agora?

   Sinceramente não sei muito bem, talvez porque não me sinta com quarenta anos. Ter essa cara de trinta e bem poucos ajuda bastante. Mas a referência que temos são nossos pais aos quarenta e eu me vejo bem diferente dele.

Sim, sou eu. Foto: Gerson Roldo.


   Primeiramente o fato de não ter filhos, principalmente adolescentes, faz uma grande diferença. Não ser pai é significativo, não ter que cuidar de alguém ou passar algo para alguém, acredito ser o maior diferencial; nem bom nem ruim, só diferente. Estar inserido no mundo tecnológico também dá a sensação de que estou falando as mesma língua de quem tem vinte anos. Ser uma pessoa que toma cerveja, come sanduíches, chupa balas, toma picolés, tudo com naturalidade, também não me remete ao que seria esse homem de quarenta anos. Pois como disse, esse homem de quarenta idealizado em minha cabeça usa terno, bebe destilado, come "comida", só anda de carro e passa férias com família na praia.

   Mas deixando os estereótipos de lado, os quarenta nos trazem coisas bem interessantes. Você tem mais certeza que vai morrer, pois as pessoas mais velhas com quem convive estão começando a morrer. O tempo tem outra dinâmica, ganha finitude. A relação com as pessoas se torna menos idealizada. Você percebe que as pessoas não são como gostaria que fossem, algumas são mais legais, mas a maioria são bem mesquinhas mesmo; e sim, você tem que conviver com a maioria delas. Você  fica mais egoísta, afinal terá menos tempo e passa a pensar mais em si, e em contrapartida dá mais valor às poucas pessoas que realmente valem a pena dividir seu tempo. E percebe que é hora de colocar tudo numa balança para saber o que já foi feito, o que precisa ser refeito e o que precisará começar a fazer.

   No meu caso específico, acredito estar em vantagem. Tenho uma boa biblioteca (real e existencial), já viajei bastante, já trabalhei em  muitas coisas (boas e ruins), já tive muito dinheiro e nenhum dinheiro, já estudei bastante e com qualidade (mas tem muito mais), já me diverti bastante (na infância e na juventude), e já chorei e amei com intensidade.

   Pensando nisso, existem poucos arrependimentos e muitas comemorações. Assim, o que fazer após os quarenta fica mais fácil, pois eu não preciso viver a idade do lobo e voltar aos vinte para fazer algo que deixei de fazer, e sim utilizar tudo o que vivi até os quarenta para construir essa vida que começa. Como um amigo me disse uma vez: "Você não nasceu com o cu pra lua, mas com todos os órgãos genitais arreganhados para ela". Vou tirar proveito disso e transformar esse segundo tempo numa goleada e fazer desse 5x0 num vira cinco, acaba dez.

   Então. E agora? Agora é hora de começar essa vida sem tantas perspectivas, ser mais cubistas, mas sem ser dadaísta, até chegar numa abstração conceitualista. Então, quer vir junto?

   Sidnei Akiyoshi, agora na versão 4.0.

12 de nov. de 2013

Oi!!!

As vezes não sabemos o que escrever.... talvez já tenha sido escrito...


          TABACARIA
    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

  • Álvaro de Campos, 15-1-1928

24 de out. de 2013

Felicidade: com ou sem cobertura?

Oi!!!

   Desculpe o atraso, estava em trânsito. :D.

   Estava pensando sobre o que escrever quando vi este post:






   Primeiro porque a relação sorvete e felicidade são bem próximas. Ambas necessitam de uma situação específica para acontecer (no caso do sorvete um local refrigerado), são gostosas, porém fugazes. A vida é assim, desculpe aqueles mais otimistas que acham que tudo é uma maravilha, mas se formos colocar preto no branco as coisas são assim, muito arroz com feijão (te alimenta, é até bom, mas enjoa). E claro tem os momentos pão duro, que é osso, muita gente passa e não desejo para ninguém.

   Quanto a felicidade, segue o mesmo pensamento do amor platônico, é baseada em desejo. É como num jantar, já senta pensando na sobremesa que é o ápice da refeição, o doce que trará a felicidade. Vem pouco, dura pouco e mesmo que você repita (o que não é elegante) não tem o mesmo gosto, pois você já satisfez os eu desejo. E aí você tem que esperar novamente a próxima refeição com sobremesa para se satisfazer. Em resumo é isso, a espera pela realização de um desejo, quanto mais demorado mais plena. É claro que se demorar muito vira frustração.

   Quanto a comprar, isso vai um pouco contra esse ideia. Pois se você tem acesso imediato a qualquer desejo, o desejo em si se perde. E sem desejo não tem felicidade. E venhamos e convenhamos, comer sobremesa o tempo todo enjoa.

Sidnei Akiyoshi.


2 de out. de 2013

Caríbdis

Oi!!!

   "Não saber de si é viver. Saber mal de si é pensar. Saber de si, de repente, como neste momento lustral, é ter subitamente a noção da mónada* íntima, da palavra mágica da alma. mas essa luz súbita cresta tudo, consume tudo. Deixa-nos nus até de nós." Livro do Desassossego - Fernando Pessoa.

   *Leibniz usa constantemente a expressão substância simples quando se refere à mónade. Cada mónade apresenta-se, neste sentido, como um mundo distinto, à parte, próprio - mas também como unidade primordial que compõe todos os corpos.

    As pessoas insistem em viver. A ignorância de si mesmo é ao mesmo tempo um bem, faz com todos acreditem na esperança, e um mal, pois as mantém longe do conhecimento de si. Pois dentro da ignorância não importa o que você faça, não sabem o que estão fazendo, portanto não há culpa ou responsabilidade. E a maioria prefere ficar assim. Responsabilidade é um peso que ninguém quer.

Caríbdis - William Pye


   O problema é quando decide saber de si. O que em si já é difícil, pois como Pessoa diz, cresta tudo, consome tudo. E você se vê jogado num redemoinho. A morte seria um bálsamo, pois já não há motivo para temê-la. Já que a solidão que se manifesta e toma conta de tudo e devasta as almas mais esperançosas. Resta tentar acordar os outros para dividir essa dor, essa solidão. Mas em geral, as pessoas preferem tomar a pílula azul. E a você só resta fazer arte, a única forma de comunicação entre esses dois mundos.

Sidnei Akiyoshi

25 de set. de 2013

Incubação.

Oi!!!

   De tempos em tempos as pessoas precisam de um tempo de incubação. Algumas pessoas chamam de férias, outras de retiros espirituais, outros de ficar sozinho mesmo. Mas as pessoas cada vez menos conseguem fazer isso. Antes as pessoas programavam tantas coisas para fazer no período em que não estavam fazendo aquilo que faziam em seu cotidiano, que quando percebiam, já tinham que voltar a fazer novamente. E hoje com a tecnologia, as pessoas não conseguem se desligar efetivamente da vida cotidiana. E aquele momento em que deveria ser só seu, está literalmente compartilhado.

   Quem trabalha no mundo acadêmico tem um período que chamam de sabático; ou seja, umas férias estendidas onde deixam para trás seu mundo de pesquisa e vão fazer outras coisas, geralmente isso dura seis meses. Isso é importante não só para descansar, mas também para terem um afastamento daquilo em que estão imersos por tanto tempo. Além de refrescar as ideias, ganham novos ares para retornar mais arejado.


Arte: Cathy Rose




   Vale a pena refletir sobre isso, e se puder refletir de forma mais intensa, melhor ainda. Incube-se, quem sabe se o futuro não lhe reserva asas.

Sidnei akiyoshi.

20 de set. de 2013

Fugaz.

Oi!!!

   Tá eu sei, dia 15 eu não postei nada. Sorry. :).

   Hoje vou falar sobre fugacidades. Para quem não sabe fugaz é aquilo que é efêmero. Tá ficou mais difícil. É aquilo que passa muito rápido. Ontem eu assisti na TV ao show do Metallica, foi muito bom. Mas me lembrou que eu fui a um show deles a quase vinte anos atrás. Eu até conseguia sentir o cheiro de suor com cerveja que é característico de shows. Me dei conta que se passou muito tempo. E passou muito rápido.

   Apesar dessa constatação da velocidade, não acho que foi vazio, pelo contrário, acredito que fiz tudo o que gostaria de ter feito; fui aos shows que gostaria de ter visto, morei em locais que gostaria de ter morado, visitei locais que queria ter visitado, comi coisas que gostaria de ter comido e amei pessoas que gostaria de ter amado. Talvez pela quantidade de coisas feitas o tempo tenha corrido como correu.

   Então quando olho para as inúmeras possibilidades de escolhas que as pessoas tem hoje (acreditem, antes era bem reduzidas: eu tinha um Atari, hoje existem vários consoles), fica a sensação de que as escolhas tem que ser muito mais cuidadosas. Qual banda escolher assistir quando elas tocam no mesmo momento? Eu acredito que seja qual for, tem que ser aproveitada com deleite. Assim como quando você colhe uma flor, ela começa a morrer naquele instante, então é necessário aproveitar sua cor, sua fragrância, seu toque, pois sua vida é fugaz. A sua também. E isso vale para tudo na vida, os amores, os amigos, as viagens, as comidas, as músicas... e daqui vinte anos você vai olhar e sorrir daquela escolha; a outra poderia até ter sido melhor, mas ela não fez parte da sua vida, e essa sim.






Sidnei Akiyoshi.


10 de set. de 2013

Santa Vilania, Batman!!!

Oi!!!

   Não podia deixar de ser diferente, hoje abre a exposição fotográfica "Santa Vilania" de Gerson Roldo. Personalidades da noite de Porto Alegre retratados na pele dos mais diversos vilões. Da mitologia grega, dos quadrinhos, das histórias infantis e do cinema, a maldade em pessoa estará nas paredes do Venezianos Pub Café. Talvez o trabalho mais bonito e mais maduro desse fotógrafo que a mais de 10 anos trabalha com fotografia. Ansioso para ver, pois uma das características de suas exposições é mostrar o resultado final apenas no dia da abertura, e mesmo eu, que moro com ele e sou um dos vilões (a bruxa má do leste de O Mágico de Oz), ainda não me vi. Então não vou me alongar muito, segue o convite e que venham as maldades que essa noite promete.



Sidnei Akiyoshi

5 de set. de 2013

Terremoto à vista.

Oi!!!

   Eu já vivi um terremoto. Quando fui morar no Japão, logo após o terremoto de Kobe, acabei indo morar numa província vizinha, Osaka. E sempre depois de um grande terremoto alguns pequenos vão ocorrendo nos meses subsequentes. Eu estava num prédio no sexto andar quando tudo começou a tremer. Foi rápido, mas deu para assustar. Eu fui visitar Kobe e ver o estrago. Impressionante a quantidade de prédios que vieram abaixo. Mas uma coisa me impressionou, os Pagodes centenários continuavam ali, firmes e fortes.

   Para quem não sabe, pagodes são os templos budistas com mais de quatro andares. Pois em geral num centro budista há um grande templo central com pé direito bem alto e ao lado, ou em frente, um pagode. E são construções centenárias, todas feitas em madeira. E como que eles ainda continuam de pé num país onde tem terremoto a toda hora?



   O segredo dos pagodes está na filosofia de vida: Quando um força estrema te atingir, aja com delicadeza. Essas filosofias são retiradas da natureza, olhando o bambu sendo rechaçado pelo vento, o sábio percebe que ele não faz resistência e se curva. Mais ou menos assim funcionam os pagodes; no centro há um enorme pilar de madeira que une toda a estrutura do templo, mas não encosta no chão, ou seja, está flutuando. Quando o terremoto atinge o prédio ele se sacode todo e transfere a energia para o resto da estrutura. O pilar central "dança" ao ritmo do terremoto sem oferecer resistência e a energia do tremor é dividida para o resto da estrutura sem causar grandes danos.

   A vida cotidiana é muito baseada em concretos, precisamos de mais bambus.

Sidnei Akiyoshi

1 de set. de 2013

Melancolia.

Oi!!!

   O que é importante na vida para você?

   Do que você tem medo?

   É feliz de verdade?

   Quantas mentiras confortantes você acredita?

   Melancolia de Lars Von Trier fala disso. Assista. E acredite, não te fará feliz.


Sidnei Akiyoshi

25 de ago. de 2013

Para sempre...

Oi!!!

   Até o fim de suas vidas... Quando eu fotografava casamentos e escutava essa frase na igreja (era outra antes - até que a morte os separe - mas mudou pois mesmo que a pessoa amada morra, tem que continuar amando a mesma), eu ficava pensando nessas decisões que são para sempre. Hoje na velocidade do mundo contemporâneo é quase um acinte falar até o fim de suas vidas (a Gretchen que o diga, rs). Mas vale para tudo, tudo mesmo. Quantos já não deixaram alguém que jurava ser amor infinito? Quantos não mudaram de área de trabalho? E assim por diante.

   Pois essa questão de ter que tomar uma decisão que você terá que levar para o resto da vida é muito difícil, por isso muitos, melhor, a maioria vai levando a vida sem refletir sobre isso. É como aquela pergunta sobre o que você levaria para uma ilha deserta, pois estamos acostumados a ter um pouquinho de tudo. Mas levantei essa questão pois estou a quase quatro décadas pensando em qual tatuagem fazer. Acredito que só agora consegui definir o que quero, mas ainda com muitas ressalvas. E já que tenho que juntar o dinheiro para a tatoo, aproveito para ir revendo o conceito e o desenho que está esboçado. Afinal é algo que vou carregar até o fim da vida.

Não é esse desenho, mas é uma bela referência.


   Mas confesso que por trás disso está o medo do para sempre. Acho que sou assim desde o primeiro emprego que recusei quando o cara que me entrevistou disse: "Vou me aposentar em cinco anos e queria alguém para me substituir". Passei na entrevista mas nunca mais voltei. Mas acho que hoje, como o até o fim da vida está bem mais perto (acho que já passei da metade), sinto que posso ter escolhas que sejam para sempre, mesmo que logo ali na frente acabe, mas a ideia não me assusta mais como antes. Inclusive começo a achar até atraente. Talvez pela idade. Talvez por já ter experimentado muita coisa. Talvez por ser menos exigente, ou ,melhor, ser mais simples.

   E você? Já pensou no para sempre?

Sidnei Akiyoshi