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10 de jun. de 2013

Que pobreza!

Oi!!!

   Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre ser pobre, pobre no sentido mais literal da palavra, aquele que não tem dinheiro. Sim, eu sou pobre. Como sei isso? Não tenho casa própria, não tenho carro, não tenho moto, nem sequer uma bicicleta (só dividas). Não tenho um trabalho de carteira assinada (terei um, mas estou ressabiado disso, afinal será como professor do estado....uuuuuu), ou seja, não tenho salário, nem vale comida, nem vale transporte, nem plano de saúde, não tenho nada. Estão se perguntando: "mas como ele vive?". Também me pergunto isso. Mas eventualmente até vendo um trabalho meu, pra quem não sabe sou artista plástico, mas isso não é muita coisa, não mesmo. Acho que posso até me candidatar ao Bolsa Família, não tinha pensado nisso....
   É ruim? Sim, é ruim. Tem dia que preciso contar moedas para comprar pão. Nunca fui ambicioso, nunca quis ser engenheiro, advogado, médico, essa profissões com bons salários. Sempre me vi fazendo algo mais prazeroso, não necessariamente menos trabalhoso, mas com certeza menos rentável. Gosto da ideia do Domani, que diz que deveríamos trabalhar 20 horas por semana para no resto do tempo fazermos o que realmente é importante na vida (cada um deve saber aquilo que é importante para si).

 "Índia Tapuia" - Albert Eckhout

   Mas hoje queria refletir um pouco sobre essa extrema pobreza. Pois a pobreza em si não é tão ruim, mas em situação extrema, é nociva; para o dia-a-dia, para a mente, para o social, para a vida. Hoje penso sobre o que escreveu Hobbes, que o homem é o lobo do homem, ou seja, que se não for saciada as necessidades mais básicas, o animal prevalece. E mesmo meu animal irracional é pobre, me penso muito mais como uma hiena roubando carniça, do que um lobo destroçando uma ovelha.
   Bem, mas agora vou pintar um pouco, afinal sempre há a esperança de vender um quadro...e ficar menos pobre.

Sidnei Akiyoshi

27 de mar. de 2013

"Colecionadores de olhares desaparecidos”

Oi!!!

   Sim, estou a procura de uma agulha num palheiro!!!

Fio - Cildo Meireles - 1990/95 - Fio e agulha de ouro em fardo de palha.


   Estes últimos tempos tenho me questionado muito. Como artista, como pessoa, como ser em si. Muito mais a procura de uma pergunta do que uma resposta. Pois as respostas geralmente não servem ou se servem já não é mais a resposta que procuro, pois se a encontrei a pergunta deixou de existir. Talvez pela situação financeira difícil, fique realmente difícil continuar em arte, mas isso nunca impediu de fazer arte, então não é uma questão inibidora do pensar em si, talvez dificulte um pouco o fazer, mas isso tudo é possível canalisar para outros meios mais acessíveis de produção, como o vídeo ou o virtual, ou mesmo o mais básico dos fazeres artísticos: o desenho.
   A questão principal é sobre o que falar. Muito já foi dito, muito está sendo dito. Mas nada realmente cria aquele "estalo" que me move, nada gera o desejo criador. O que faço é reproduzir o mesmo, que nem meu é, apenas reconto aquilo que alguém já contou. Procurar esse olhar desaparecido está cada vez mais difícil. Sei como procurar; basta olhar para aquilo que está, ver o que é e questionar o por quê? Mas mesmo assim tudo parece ser tão maçante. Talvez o tédio seja o principal elemento, mas será que David Hockney já não disse tudo? Talvez a morte da arte seja o mote principal, ou o luto segundo Marcia Tiburi. Devemos beber o defunto (arte) e num silêncio constrangedor, entre sussurros maliciosos, enaltecê-la. Talvez seja isso, produzir o silêncio do velório até que esse período de luto acabe e possamos viver novamente. Ou quem sabe aguardar o terceiro dia.... na dúvida verei se nesse palheiro alguma galinha botou algum ovo e garantir o meu. Omeletes são ótimas.

Sidnei Akiyoshi