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28 de jul. de 2013

Iniciativas e Acabativas.

Oi!!!

   Hoje serei bem breve em meu texto pois, além de estar atrasado, preciso dar acabativas a determinadas iniciativas.

Lauren Spencer King



   Peguei esse tema da minha querida amiga Luiza Lisboa, que disse que está cansada de pessoas com iniciativas e queria mais com acabativas. Pois talvez esse seja um dos males da nossa contemporaneidade, muitas ideias e poucas realizações. Sei que ter ideias não é algo fácil, você precisa estar fora da caixinha e ter a mente aberta para fazer aquilo que não existe, aquilo que se achava impossível de fazer até alguém fazer. Mas por em prática a maioria das ideias requer tempo, trabalho e dedicação. E essas três palavras as pessoas contemporâneas fogem com afinco, pois vão contra o mantra mais pronunciado: imediatismo.

   Eu sempre me coloco como o sujeito inserido nisso. Tenho quatro linhas de pesquisa em artes (encáustica, apropriação/foto, colagem e texto/foto) todas são ideias bem interessantes, mas sempre estou postergando por "N" motivos o desenvolvimento mais aprofundado. Tirando a encáustica que tá um pouquinho melhor o resto está um pouco depois da iniciativa... então já que hoje acordei com desejos, vou lá pro ateliê.

   Espero que vocês pensem nas suas iniciativas que estão sem acabativas aí em suas vidas. Como disse num post anterior, coloque um fim, mesmo que parcial, pois é melhor ter pequenas acabativas que nenhuma.

Sidnei Akiyoshi.

5 de jul. de 2013

"Humores" texto da exposição.

Oi!!!

Segue o texto da minha exposição "Humores" que está no Venezianos Pub em Porto Alegre até dia 22/07.





Humores - Encáustica sobre tela - 60x80 cm - 2013




“Humores“

            Essa exposição “Humores”, reuni algumas obras que fazem parte dos meus estudos recentes em arte, onde faço uma relação entre arte-corpo-sociedade. Duas técnicas aparecem em preponderância: a encáustica e a colagem.  Como estudos, as peças são feitas em tamanho reduzido, o que ajuda no entendimento da técnica como no desenvolvimento das ideias.

            O corpo surge como elemento disparador da criação. De sua pele às entranhas, tudo é motivo para pensar o corpo como elemento intrínseco à arte. Dissecada as materialidades é necessário observar como elas se relacionam com a sociedade, como diz Merleau-Ponty: “O enigma consiste em meu corpo ser ao mesmo tempo vidente e visível. Ele que olha todas as coisas, pode também se olhar, e reconhecer no que vê então o “outro lado” de seu poder vidente. Ele se vê vidente, ele se toca tocante, é visível e sensível para si mesmo. É um si, não por transparência, como o pensamento, que só pensa seja o que for assimilando-o, constituindo-o, transformando-o em pensamento – mas um si por confusão, por narcisismo, inerência daquele que vê ao que ele vê, daquele que toca ao que ele toca, do senciente ao sentido – um si que é tomado portanto entre coisas, que tem uma face e um dorso, um passado e um futuro...”. Um corpo que se vê do avesso e extrapola seus humores para além das aparências.

            Segundo Hipókrates, o pai da medicina, existem quatro tipos de humores:  A bile amarela (humor colérico), bile negra (melancolia), sangue (sanguíneo, alegre)e fleugma (fleugmático, frio). O desequilíbrio entre esses humores é o que gera as doenças, consequentemente o equilíbrio, saúde. Esses humores se refletem na sociedade, ora mais escondidos, ora se mostrando, mas o mais evidente: em total desequilíbrio. 

            Entre quente e frio, seco e úmido, essa exposição “Humores” tenta trazer um pouco da minha visão sobre o que é ou pretende ser nossa sociedade contemporânea, ou líquida, como diz Zygmunt Bauman.  Um sociedade que altera seus valores e se transforma rapidamente para se adaptar aos mais diferentes propósitos, sejam eles nobres ou devassos. Contanto que ao final, reste sempre um” bom” humor.

Sidnei Akiyoshi

30 de abr. de 2013

Cé-re-bro...

Oi!!!

   As vezes eu tenho a sensação de estar perdido na vida. Sabe quando você para e olha para o lado e vê todo mundo caminhando no automático? Não importa fazendo o que: trabalho, estudos, família, diversão; há aquela sensação de que fazem porquê tem de fazer, como se não tivessem escolha. Uma anestesia geral.Eu tenho isso com uma certa frequência e os disparadores são bem diversos, mas praticamente todos são relacionados à arte. Seja um quadro, um livro ou um filme. Na maioria das vezes falta um interlocutor para partilhar isso e você fica assim, com cara de bobo, rodeado de mortos vivos.


15 de abr. de 2013

Aquarelência

Oi!!!

   Hoje olhando essa aquarela de Stan Miller decidi falar um pouco sobre paciência.
   Quem nunca trabalhou com aquarela não tem noção de como é difícil. Sempre digo a meus alunos que aquarela é a última técnica que eles devem aprender, a pintura a óleo é a primeira, pois permite que você erre a vontade. A aquarela não. Pintar uma aquarela requer em primeiro lugar um bom material: bons pincéis (um bom custa aproximadamente 150 reais), bons pigmentos (os em barra são os melhores) e principalmente bons suportes, ou seja, papéis de qualidade. É claro que você pode treinar com algo mais barato, mas a diferença de resultado é gritante. Depois, muita paciência. O princípio da aquarela é saber o que não pintar, pois são as áreas que ficarão em branco. Então você tem que treinar a pincelada exaustivamente, pois depois de feito não pode ser corrigido. As sobreposições tem que ser perfeitas para propiciar os escuros necessários. É quase um trabalho de vidente, pois se trabalha com água pigmentada sobre um superfície que vai sugar essa água, é você a mercê do destino, mas que você aprende com o tempo a saber os caminhos que ela percorre. Aí então, quando você controlar o futuro, saberá pintar uma aquarela.



   E a vida o que tem a ver com isso? Não há mais tempo para aquarela. Não há mais tempo para a paciência. Não há mais tempo. Tudo é muito fugaz. Tudo é muito imediato. Não há espaço nem para a pintura a óleo. Vivemos num tempo de Assemblage*, onde só o pronto é rápido é o suficiente.

Sidnei Akiyoshi

*Assemblage: O termo assemblage é incorporado às artes em 1953, cunhado pelo pintor e gravador francês Jean Dubuffet (1901-1985) para fazer referência a trabalhos que, segundo ele, "vão além das colagens". O princípio que orienta a feitura de assemblages é a "estética da acumulação": todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte. (Enciclopédia Itaú Cultural).


27 de mar. de 2013

"Colecionadores de olhares desaparecidos”

Oi!!!

   Sim, estou a procura de uma agulha num palheiro!!!

Fio - Cildo Meireles - 1990/95 - Fio e agulha de ouro em fardo de palha.


   Estes últimos tempos tenho me questionado muito. Como artista, como pessoa, como ser em si. Muito mais a procura de uma pergunta do que uma resposta. Pois as respostas geralmente não servem ou se servem já não é mais a resposta que procuro, pois se a encontrei a pergunta deixou de existir. Talvez pela situação financeira difícil, fique realmente difícil continuar em arte, mas isso nunca impediu de fazer arte, então não é uma questão inibidora do pensar em si, talvez dificulte um pouco o fazer, mas isso tudo é possível canalisar para outros meios mais acessíveis de produção, como o vídeo ou o virtual, ou mesmo o mais básico dos fazeres artísticos: o desenho.
   A questão principal é sobre o que falar. Muito já foi dito, muito está sendo dito. Mas nada realmente cria aquele "estalo" que me move, nada gera o desejo criador. O que faço é reproduzir o mesmo, que nem meu é, apenas reconto aquilo que alguém já contou. Procurar esse olhar desaparecido está cada vez mais difícil. Sei como procurar; basta olhar para aquilo que está, ver o que é e questionar o por quê? Mas mesmo assim tudo parece ser tão maçante. Talvez o tédio seja o principal elemento, mas será que David Hockney já não disse tudo? Talvez a morte da arte seja o mote principal, ou o luto segundo Marcia Tiburi. Devemos beber o defunto (arte) e num silêncio constrangedor, entre sussurros maliciosos, enaltecê-la. Talvez seja isso, produzir o silêncio do velório até que esse período de luto acabe e possamos viver novamente. Ou quem sabe aguardar o terceiro dia.... na dúvida verei se nesse palheiro alguma galinha botou algum ovo e garantir o meu. Omeletes são ótimas.

Sidnei Akiyoshi

27 de fev. de 2013

Silêncio Prolixo

Estou num momento de questionamentos sobre a arte. Ou seja, estou questionando a vida. Estou abrindo uma nova pesquisa em meus trabalhos e procuarando aquilo que me inquieta. Ainda não sei o que será, pois muitas coisas me inquietam no mundo, solidão, morte, transformação, carência. Ver outros artistas ajuda a refletir sobre o que fizeram e o porquê. Esse video da Marina Abramivich meet Ulay mexeu comigo, talvez pelo silêncio ser tão ensurdecedor, talvez por dizer tanto, talvez por ser tão pouco tempo para dizer tanta coisa, mas acredito que tenha sido por dizer o necessário naquele momento. E acho que isso é o que falta na sociedade contemporânea, o necessário.


Um minuto de silêncio compartilhado é mais profundo do que uma vida de falas superficiais.

4 de jan. de 2013

Pequenas Torturas.

Ikebana.

Flor viva. Esse é o significado. Mas sabendo que a flor começa a morrer assim que é cortada da planta torna-se interessante o significado. Mas isso vai muito além. O Ikebana é um arranjo dedicado aos deuses, para ser colocado no altar. Portanto sua montagem é repleta de rituais e prega uma espiritualidade. Unir flores vivas com galhos secos é pensar a relação entre vida e morte, entre corpo e espírito. Transformar o arranjo em algo belo passa pela tortura, pois as posições acrobáticas das plantas servem para dar harmonia ao todo, e é necessário torcê-las até quase quebrar para montar o que deseja. É preciso chegar a beira do assassinato para encontrar a beleza, sem isso não há beleza, além disso: a morte.

25 de nov. de 2011

* A imagem central é a última (9), as outras estão na sequência (de acordo como elas estão expostas no MAC).
 Série Trágica de Flávio de Carvalho – Uma tradução.
Feita durante visitação à exposição que está no MAC Ibirapuera
com a turma de pós da Prof. Carmem Aranha.

1. Minha mãe está morrendo. O suor em sua face revela seus humores em convulsão. O cansaço de lutar contra essa morte. A favor de uma vida, exauri suas forças.
2. Um sono que por instantes foi tranquilo, revela uma mão tensa, quase um sinal, dizendo para esperar mais um pouco, nem tudo foi dito.
3. A dor se mostra terrível. Marca seus traços. A boca emite um ruído mudo contra uma visão que está em seus olhos fechados.
4. Passou. Ainda estou viva. Ainda tenho um sopro de vida e isso me acalma, me conforta, me faz ser o que sou: mãe.
5. Prescinto que não posso mais lutar. O momento está chegando. Tenho meu último sonho, tomo meu último ar.
6. Ela chegou! Arranca minha vida de forma violenta. Meu corpo se nega a aceitar. Me agarro como posso.
7. O último suspiro se foi. É apenas a alma pendendo seu último fio de vida, seu último sopro de existência.
8. Ficou o cansaço do corpo, mas que não sinto mais. Apenas carne sem vida. Exausto. Exaurido.
9. “Essa não é mais minha mãe”.