20 de set. de 2013

Fugaz.

Oi!!!

   Tá eu sei, dia 15 eu não postei nada. Sorry. :).

   Hoje vou falar sobre fugacidades. Para quem não sabe fugaz é aquilo que é efêmero. Tá ficou mais difícil. É aquilo que passa muito rápido. Ontem eu assisti na TV ao show do Metallica, foi muito bom. Mas me lembrou que eu fui a um show deles a quase vinte anos atrás. Eu até conseguia sentir o cheiro de suor com cerveja que é característico de shows. Me dei conta que se passou muito tempo. E passou muito rápido.

   Apesar dessa constatação da velocidade, não acho que foi vazio, pelo contrário, acredito que fiz tudo o que gostaria de ter feito; fui aos shows que gostaria de ter visto, morei em locais que gostaria de ter morado, visitei locais que queria ter visitado, comi coisas que gostaria de ter comido e amei pessoas que gostaria de ter amado. Talvez pela quantidade de coisas feitas o tempo tenha corrido como correu.

   Então quando olho para as inúmeras possibilidades de escolhas que as pessoas tem hoje (acreditem, antes era bem reduzidas: eu tinha um Atari, hoje existem vários consoles), fica a sensação de que as escolhas tem que ser muito mais cuidadosas. Qual banda escolher assistir quando elas tocam no mesmo momento? Eu acredito que seja qual for, tem que ser aproveitada com deleite. Assim como quando você colhe uma flor, ela começa a morrer naquele instante, então é necessário aproveitar sua cor, sua fragrância, seu toque, pois sua vida é fugaz. A sua também. E isso vale para tudo na vida, os amores, os amigos, as viagens, as comidas, as músicas... e daqui vinte anos você vai olhar e sorrir daquela escolha; a outra poderia até ter sido melhor, mas ela não fez parte da sua vida, e essa sim.






Sidnei Akiyoshi.


10 de set. de 2013

Santa Vilania, Batman!!!

Oi!!!

   Não podia deixar de ser diferente, hoje abre a exposição fotográfica "Santa Vilania" de Gerson Roldo. Personalidades da noite de Porto Alegre retratados na pele dos mais diversos vilões. Da mitologia grega, dos quadrinhos, das histórias infantis e do cinema, a maldade em pessoa estará nas paredes do Venezianos Pub Café. Talvez o trabalho mais bonito e mais maduro desse fotógrafo que a mais de 10 anos trabalha com fotografia. Ansioso para ver, pois uma das características de suas exposições é mostrar o resultado final apenas no dia da abertura, e mesmo eu, que moro com ele e sou um dos vilões (a bruxa má do leste de O Mágico de Oz), ainda não me vi. Então não vou me alongar muito, segue o convite e que venham as maldades que essa noite promete.



Sidnei Akiyoshi

5 de set. de 2013

Terremoto à vista.

Oi!!!

   Eu já vivi um terremoto. Quando fui morar no Japão, logo após o terremoto de Kobe, acabei indo morar numa província vizinha, Osaka. E sempre depois de um grande terremoto alguns pequenos vão ocorrendo nos meses subsequentes. Eu estava num prédio no sexto andar quando tudo começou a tremer. Foi rápido, mas deu para assustar. Eu fui visitar Kobe e ver o estrago. Impressionante a quantidade de prédios que vieram abaixo. Mas uma coisa me impressionou, os Pagodes centenários continuavam ali, firmes e fortes.

   Para quem não sabe, pagodes são os templos budistas com mais de quatro andares. Pois em geral num centro budista há um grande templo central com pé direito bem alto e ao lado, ou em frente, um pagode. E são construções centenárias, todas feitas em madeira. E como que eles ainda continuam de pé num país onde tem terremoto a toda hora?



   O segredo dos pagodes está na filosofia de vida: Quando um força estrema te atingir, aja com delicadeza. Essas filosofias são retiradas da natureza, olhando o bambu sendo rechaçado pelo vento, o sábio percebe que ele não faz resistência e se curva. Mais ou menos assim funcionam os pagodes; no centro há um enorme pilar de madeira que une toda a estrutura do templo, mas não encosta no chão, ou seja, está flutuando. Quando o terremoto atinge o prédio ele se sacode todo e transfere a energia para o resto da estrutura. O pilar central "dança" ao ritmo do terremoto sem oferecer resistência e a energia do tremor é dividida para o resto da estrutura sem causar grandes danos.

   A vida cotidiana é muito baseada em concretos, precisamos de mais bambus.

Sidnei Akiyoshi

1 de set. de 2013

Melancolia.

Oi!!!

   O que é importante na vida para você?

   Do que você tem medo?

   É feliz de verdade?

   Quantas mentiras confortantes você acredita?

   Melancolia de Lars Von Trier fala disso. Assista. E acredite, não te fará feliz.


Sidnei Akiyoshi

25 de ago. de 2013

Para sempre...

Oi!!!

   Até o fim de suas vidas... Quando eu fotografava casamentos e escutava essa frase na igreja (era outra antes - até que a morte os separe - mas mudou pois mesmo que a pessoa amada morra, tem que continuar amando a mesma), eu ficava pensando nessas decisões que são para sempre. Hoje na velocidade do mundo contemporâneo é quase um acinte falar até o fim de suas vidas (a Gretchen que o diga, rs). Mas vale para tudo, tudo mesmo. Quantos já não deixaram alguém que jurava ser amor infinito? Quantos não mudaram de área de trabalho? E assim por diante.

   Pois essa questão de ter que tomar uma decisão que você terá que levar para o resto da vida é muito difícil, por isso muitos, melhor, a maioria vai levando a vida sem refletir sobre isso. É como aquela pergunta sobre o que você levaria para uma ilha deserta, pois estamos acostumados a ter um pouquinho de tudo. Mas levantei essa questão pois estou a quase quatro décadas pensando em qual tatuagem fazer. Acredito que só agora consegui definir o que quero, mas ainda com muitas ressalvas. E já que tenho que juntar o dinheiro para a tatoo, aproveito para ir revendo o conceito e o desenho que está esboçado. Afinal é algo que vou carregar até o fim da vida.

Não é esse desenho, mas é uma bela referência.


   Mas confesso que por trás disso está o medo do para sempre. Acho que sou assim desde o primeiro emprego que recusei quando o cara que me entrevistou disse: "Vou me aposentar em cinco anos e queria alguém para me substituir". Passei na entrevista mas nunca mais voltei. Mas acho que hoje, como o até o fim da vida está bem mais perto (acho que já passei da metade), sinto que posso ter escolhas que sejam para sempre, mesmo que logo ali na frente acabe, mas a ideia não me assusta mais como antes. Inclusive começo a achar até atraente. Talvez pela idade. Talvez por já ter experimentado muita coisa. Talvez por ser menos exigente, ou ,melhor, ser mais simples.

   E você? Já pensou no para sempre?

Sidnei Akiyoshi

20 de ago. de 2013

Work Hard ≠ Work a Lot

Oi!!!

   Na última postagem coloquei uma lista de atitudes que resume muito livro de autoajuda. Dentre elas estava "Work Hard" (trabalhe duro). E em tempos de tecnologia 3.0 é necessário se pensar as formas de trabalho. Desde que o filósofo italiano Domenico de Masi falou sobre o ócio criativo e que a tecnologia trará mais produtividade seguida de menos horas de trabalho, o que vemos por aí é gente trabalhando cada vez mais; ao meu ver pelos motivos errados, como já citei em outros posts aqui no blog. Temos inclusive essa máxima de que devemos trabalhar oito horas por dia. Isso foi criado no começo do século XX e implementada por Ford, pois deveríamos dividir a vida em três turnos: 1/3 de trabalho, 1/3 de descanso e 1/3 de diversão. E isso nunca mais foi questionado.

   Então quando digo trabalhe duro, não significa que você tenha que se matar trabalhando, mas sim que trabalhe com mais eficiência. Quantas vezes você não ficou em seu local de trabalho enrolando para parecer que estava trabalhando pelas oito horas que você era obrigado a cumprir quando você conseguiria terminar esse mesmo trabalho em quatro horas? Hoje, mais do que nunca, a produção é mais importante que o tempo trabalhado; pois existem equipamentos, tecnologias e técnicas que permitem ser mais eficiente com menos tempo trabalhado. Isso é fato e em quase todas as áreas, podemos trabalhar assim. Então veja o que você está fazendo e pense em produtividade e não em tempo trabalhado.

   Mas isso tem um contraponto perigoso. As empresas querendo sempre lucrar mais vão sempre aumentar sua meta, então se você produzia X e passou a produzir 2X, logo mais vão querer que você produza 3X. Então fique sempre de olho, se você aumentou a produtividade em 3, você tem que ser recompensado na mesma proporção.

João de barro trabalhando duro.


   Mas o foco desta postagem é outro, é trabalhar de forma mais eficiente para trabalhar menos. Para daí você ter tempo para outras coisa importantes na vida que estavam relacionadas na lista da postagem passada: se exercitar mais, ler mais, ser voluntario, relaxar, amar, enfim, viver.

Sidnei Akiyoshi

15 de ago. de 2013

Autoajuda.

Oi!!!

   Você tem algum problema em sua vida? A resposta é sim? Eu tenho a solução!!!

   Autoajuda. Sempre está entre os livros mais vendidos em qualquer livraria. Será que as pessoas estão com tantos problemas assim? Eu diria que as pessoas tem UM grande problema, é achar que tem muitos problemas. Mas aí eu me questiono o por que de tantos terem tantos problemas? Mas vamos separar algumas coisas. Alguém pode ter uma doença grave, um câncer por exemplo. Ela tem um problema bem específico que requer ações bem específicas que podem ter os seus percalços, como a demora no atendimento público, por exemplo. Mas em geral, as pessoas procuram livros de autoajuda por outros motivos; como ganhar mais dinheiro, como ser mais magra, como ser mais bonita, como ser mais eficiente e por aí vai. E na minha opinião, a maioria das pessoas não precisa disso tudo. Elas desejam, mas não necessariamente precisam.

   Nesse ponto eu coloco uma fala do Michel Foucault em Vigiar e punir: "As instituições organizam-se de forma a reproduzir a submissão e produzir os corpos dóceis que culmina na subordinação social, na dominação, na alienação e aceitação." Vou dar um exemplo: o slogan da Coca-cola é "Viva o lado Coca-cola da vida" e antes, "Abra felicidade". Apesar você gastar dinheiro com algo que vai te deixar mais gorda, mais feia e menos eficiente (dentro de padrões sociais impostos) você ainda acredita na felicidade que aquilo te promete. Ou seja você é um corpo dócil que aceita e reproduz essa ideia; e o pior, julga quem não faz isso. E isso vale para qualquer coisa, desde trabalhar muito mais do que você realmente precisa a fazer uma lipoaspiração, passando por comprar o último lançamento de celular. Você se subordina, aliena e aceita.

   Ninguém precisa deixar de beber coca, ou de trabalhar muito, ou comprar qualquer coisa tecnológica, mas precisa saber o que quer na vida e principalmente ter controle sobre ela. Não é porque todo mundo faz algo que você também tenha que fazer. Pois esse desejo por algo que você não precisa é o que causa a infelicidade, que te leva a comprar aquele livro de autoajuda, que supostamente te ajudará a conseguir.

   Tenho aqui algumas dicas de autoajuda para você viver melhor: SEJA VOCÊ.


Sidnei Akiyoshi.

10 de ago. de 2013

Delicadeza.

Oi!!!

   Delicadeza é algo em extinção atualmente. Pois delicadeza é contraponto de eficácia. Pois para se fazer algo delicado precisa de cuidado, paciência e tempo, e isso tudo geralmente não vem ligado à eficácia. Geralmente, claro. Por isso, sempre gostei da forma como japoneses lidam com a vida, da culinária ao convívio, tudo com muita delicadeza, as vezes até em excesso. Mas nos detalhes se mostra o cuidado que se tem com o próximo, coisa que as vezes muitas pessoas esquecem, sim as pessoas esquecem que interagem com outras pessoas e agem egoisticamente de forma grosseira.
   E essa grosseria se espalha como vírus sem que as pessoas se quer  se deem conta que estão sendo, achando aquele gesto, normal. Podemos partir do básico obrigado e por favor, mas vai muito além quando interesses estão em pauta, como o "espaço" do seu carro no transito ou "jeitinhos" em serviços públicos naturalmente burocráticos.
   A culinária é um bom lugar para se praticar isso, pois é um tempo seu que você dedica a alimentar outras pessoas. É claro que não precisa fazer pratos elaborados como um chef, mas alguns cuidados e principalmente, algumas escolhas fazem daquela sua refeição algo delicado mostrando que você se importa com quem está convivendo. Tente, nem dói tanto assim.


  E obrigado pela delicadeza de ler esse post.

Sidnei Akiyoshi

6 de ago. de 2013

Espaço vácuo.

Oi!!!

   As vezes por por um bom tempo na vida fazemos determinada atividade, algo que está no cotidiano que nem percebemos mais que estamos fazendo, fazemos porque tem que fazer, fazemos no automático. Não falo das coisas básicas, como escovar os dentes ou tomar café da manhã. Falo de algo que de certa forma há uma interação com outra pessoa, pois a interação pode ser apenas sua, ou apenas visual, ou uma quase não interação, mas está ali constantemente na sua vida. Como uma casa antiga que está no seu percurso diário ou um senhor que sempre está sentado no mesmo banco de uma praça.
   Um dia, do nada, essa interação acaba.



   Sabe aquela sensação de vazio. Um vazio estranho, pois aquilo que estava tão arraigado em sua vida foi-se. E sempre que isso acontece vêm aqueles pensamentos se estamos dando valor aquilo que realmente importa na vida. Pois tudo é tão fugaz que quando se vê, acabou. Nossa contemporaneidade é repleta disso, como numa viagem de trem, onde aquilo que está longe passa devagar, mas aquilo que está bem próximo, quase nem vemos.
   Em geral, temos um período de luto por aquilo que deixou de existir, mas depois passa e procuramos ocupar aquele vazio com outra coisa. Pois o vazio, nessa nossa estranha contemporaneidade, incomoda.

Sidnei Akiyoshi

2 de ago. de 2013

Um "Q" a mais.

Oi!!!

   Hoje peguei a ideia do post (que tá atrasado) da minha querida amiga Joss Cunha. Ela disse: "Tem dias que nada de especial acontece, mas parece que acordamos com um "Q" a mais, com uma empolgação vinda de algum lugar não específico, que nos faz cantarolar sem perceber...". Isso geralmente eu também tenho. Aliás essa semana teve uma conjunção astrológica rara que ativa a sensibilidade daqueles que trabalham com arte e misticismo, juro que senti isso a semana toda. Mas o meu questionamento aqui não é nem essa empolgação, mas o que seria esse "Q" a mais?



   Não achei nada muito explicativo, pensei nos cromossomos e até uma explicação literária. Mas achei algo que talvez, não explique, mas justifique, alguém ter um "Q" a mais. No início do século vinte as forças armadas da Inglaterra criaram o Código Q, diz o google: "O Código Q é adotado internacionalmente por Forças Armadas e trata-se de uma coleção padronizada de três letras, todas começando com a letra "Q", inicialmente desenvolvida para comunicação radiotelegráfica comercial, e posteriormente adotada por outros serviços de rádios, especialmente o radioamadorismo.". Achei isso incrível, pois independente da língua que você fale, se você tiver o conhecimento do Código Q, pode trocar informações, pertinentes ao trabalho das forças armadas, claro, com qualquer outro conhecedor dessa linguagem usando apenas 3 letras. Um exemplo: QRD: Aonde vai e de onde vem? E a resposta pode ser: Brasil - Pasárgada.

   Então se você tem esse "Q" a mais pode se comunicar muito mais.

   E você, QAP?

Sidnei Akiyoshi

28 de jul. de 2013

Iniciativas e Acabativas.

Oi!!!

   Hoje serei bem breve em meu texto pois, além de estar atrasado, preciso dar acabativas a determinadas iniciativas.

Lauren Spencer King



   Peguei esse tema da minha querida amiga Luiza Lisboa, que disse que está cansada de pessoas com iniciativas e queria mais com acabativas. Pois talvez esse seja um dos males da nossa contemporaneidade, muitas ideias e poucas realizações. Sei que ter ideias não é algo fácil, você precisa estar fora da caixinha e ter a mente aberta para fazer aquilo que não existe, aquilo que se achava impossível de fazer até alguém fazer. Mas por em prática a maioria das ideias requer tempo, trabalho e dedicação. E essas três palavras as pessoas contemporâneas fogem com afinco, pois vão contra o mantra mais pronunciado: imediatismo.

   Eu sempre me coloco como o sujeito inserido nisso. Tenho quatro linhas de pesquisa em artes (encáustica, apropriação/foto, colagem e texto/foto) todas são ideias bem interessantes, mas sempre estou postergando por "N" motivos o desenvolvimento mais aprofundado. Tirando a encáustica que tá um pouquinho melhor o resto está um pouco depois da iniciativa... então já que hoje acordei com desejos, vou lá pro ateliê.

   Espero que vocês pensem nas suas iniciativas que estão sem acabativas aí em suas vidas. Como disse num post anterior, coloque um fim, mesmo que parcial, pois é melhor ter pequenas acabativas que nenhuma.

Sidnei Akiyoshi.

20 de jul. de 2013

O tecido da amizade.

Oi!!!

Como é dia do amigo, um texto teórico sobre amizade, de J.P. Vernant no livro Entre mito e política.



   "Existimos com e pelos outros, que, ao mesmo tempo, são e não são como nós. (...). É assim também que se tece a amizade, por meios de percursos mais ou menos difíceis, de fracassos, de contra-sensos, de retomadas... Não existe imediato nos homens, tudo acontece por meio de construções simbólicas.
   Por vezes, também, é preciso dar umas tesouradas no tecido, mesmo com pessoas que gostamos muito, cortar para que o tecido continue.
   (...)
   ..., que são amigos aqueles com os quais temos as coisas essenciais em comum: as lembranças, as experiências, os valores... Dizer que entre amigos tudo é comum significa que existe, como na cidade grega, uma relação particular de igualdade em virtude da qual a própria vida privada, ao menos em muitos de seus componentes, é compartilhada com os outros; não é só porque podemos dizer aos amigos coisas que não diríamos a outros; mas as recordações, as alegrias, as tristezas, que nada têm a ver com o domínio público, no sentido grego do termo, e sim com o que eu chamaria de próprio, particular, são vivenciadas na participação com os outros em uma relação de troca igualitária.
   Com efeito, a igualdade é fundamental na amizade. Quando se é amigo, mesmo se existir discordância ou rivalidade, é-se igual. Para um grego, só é possível ter amizade por alguém que é, de alguma forma, um semelhante: um grego para outro grego, um cidadão para com outro cidadão."

Sidnei Akiyoshi

16 de jul. de 2013

Onde quer chegar?

Oi!!!



Alice: Você poderia me dizer, por favor, qual o caminho para sair daqui?
Gato que sorri: Depende muito de onde você quer chegar
Alice: Não me importa muito onde...
Gato que Sorri: Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá
Alice: desde que eu chegue a algum lugar
Gato que Sorri: Oh, esteja certa de que isso ocorrerá, desde que você caminhe o bastante.”
   Eu acho que o mal da maioria das pessoas é não saber onde quer chegar. Eu sempre me questiono onde estarei daqui a um, cinco e dez anos. Faço isso desde os 20 anos e quase sempre cheguei onde queria. Sei que isso é difícil de fazer, mas em geral, as pessoas nem tentam. Isso serve, primeiramente, para a vida pessoal. Pode começar separando: trabalho, estudos, diversão, viagens, coisas, amores; tá, esse último confesso que é bem mais complicado, mas pode começar pensando, não no que você quer n@ outr@, mas no que abrirá mão pel@ outr@.

   Mas depois pode expandir isso para o coletivo. Onde você quer que as suas coletividades estejam daqui a um, cinco e dez anos. Desde a sua família até o seu país. Falo isso por uma pequena reflexão sobre as manifestações, e mais precisamente, pelos cartazes. Em geral as pessoas sabem o que não querem, mas não tem muita ideia do que querem. Mas é bom lembrar que querer é um sentimento de volição, de desejo; você pode querer o impossível, é plausível, pois é um desejo. Mas em geral o querer vem junto com o merecer, e mais em geral ainda não merecemos o que queremos; pois merecimento requer empenho, trabalho, e na maioria das vezes isso não é feito. É como ganhar a sobremesa SE comer o brócolis, como viajar para Paris SE economizar dinheiro, como ter um país melhor SE se engajar eticamente em política; e tudo isso requer empenho: comer aquela coisa verde, não gastar com supérfluos, dedicar uma parte do seu tempo.

   Eu sei que os meus próximos dez anos vão ser dedicados ao trabalho e consequentemente aquisição de bens e economia. Como isso se dará, está se encaminhando, pois os caminhos só são decididos depois do destino.

Sidnei Akiyoshi

11 de jul. de 2013

Continuidade

Oi!!!

   Já falei aqui sobre aceitar os próprios erros. Isso é bom e resolve boa parte dos problemas, pois ou você aceita o erro e resolve ou aceita que ele é irremediável e desencana. Lembrando que para resolver algo existem dezenas de maneiras, desde o pega e faz até o manda fazer.

   Aceitei que tenho erro de continuidade. Como nos filmes, em que o personagem principal sai de casa com uma camisa branca e aparece logo em seguida com uma vermelha (no caso não era um filme tipo walking dead), então entendemos que em algum momento houve a troca e nós observadores do filme não fomos informados. Pois eu tenho isso.



   Em empreendedorismo isso se chama perder o foco, mudar o rumo, desviar de objetivos, mas no linguajar popular podemos dizer que é o famoso: começa mas não termina. Eu diria sim e não, pois olhando de pertinho parece caótico, mas no macro até que faz sentido. É que quando olhamos de forma mais administrativa as metas parecem não fazer sentido, pois em geral na minha vida elas não são mensuráveis. Por exemplo: ter um carro é algo mensurável, ele custa tanto para comprar e tanto para manter, bem simples de entender. Agora quando falamos em conhecimento... começa a complicar. Internet exemplifica bem isso, você começa procurando qual tipo de incenso é bom para concentração e acaba lendo sobre a confecção de turíbulos na Idade Média. Pois uma coisa puxa a outra e quando se vê está tudo entrelaçado. E isso se comprova fazendo um simples "mind map": aprender inglês - mestrado - artes plásticas - literatura - contar histórias (em inglês?).

   Estou pensando em mensurar esse conhecimento. Só assim deixarei de perder a continuidade. E como vou começar a lecionar, refleti que uma das formas de medir se aprendeu é se sabe passar esse conhecimento. Talvez não seja o melhor método, talvez eu precise de uns 200 anos ou talvez eu compre uma camisa vermelha. Vamos ver a continuidade disso. Com certeza não virá o Oscar de melhor figurino, mas é bem provável que venha o de melhor roteiro original.

Sidnei Akiyoshi

5 de jul. de 2013

"Humores" texto da exposição.

Oi!!!

Segue o texto da minha exposição "Humores" que está no Venezianos Pub em Porto Alegre até dia 22/07.





Humores - Encáustica sobre tela - 60x80 cm - 2013




“Humores“

            Essa exposição “Humores”, reuni algumas obras que fazem parte dos meus estudos recentes em arte, onde faço uma relação entre arte-corpo-sociedade. Duas técnicas aparecem em preponderância: a encáustica e a colagem.  Como estudos, as peças são feitas em tamanho reduzido, o que ajuda no entendimento da técnica como no desenvolvimento das ideias.

            O corpo surge como elemento disparador da criação. De sua pele às entranhas, tudo é motivo para pensar o corpo como elemento intrínseco à arte. Dissecada as materialidades é necessário observar como elas se relacionam com a sociedade, como diz Merleau-Ponty: “O enigma consiste em meu corpo ser ao mesmo tempo vidente e visível. Ele que olha todas as coisas, pode também se olhar, e reconhecer no que vê então o “outro lado” de seu poder vidente. Ele se vê vidente, ele se toca tocante, é visível e sensível para si mesmo. É um si, não por transparência, como o pensamento, que só pensa seja o que for assimilando-o, constituindo-o, transformando-o em pensamento – mas um si por confusão, por narcisismo, inerência daquele que vê ao que ele vê, daquele que toca ao que ele toca, do senciente ao sentido – um si que é tomado portanto entre coisas, que tem uma face e um dorso, um passado e um futuro...”. Um corpo que se vê do avesso e extrapola seus humores para além das aparências.

            Segundo Hipókrates, o pai da medicina, existem quatro tipos de humores:  A bile amarela (humor colérico), bile negra (melancolia), sangue (sanguíneo, alegre)e fleugma (fleugmático, frio). O desequilíbrio entre esses humores é o que gera as doenças, consequentemente o equilíbrio, saúde. Esses humores se refletem na sociedade, ora mais escondidos, ora se mostrando, mas o mais evidente: em total desequilíbrio. 

            Entre quente e frio, seco e úmido, essa exposição “Humores” tenta trazer um pouco da minha visão sobre o que é ou pretende ser nossa sociedade contemporânea, ou líquida, como diz Zygmunt Bauman.  Um sociedade que altera seus valores e se transforma rapidamente para se adaptar aos mais diferentes propósitos, sejam eles nobres ou devassos. Contanto que ao final, reste sempre um” bom” humor.

Sidnei Akiyoshi

30 de jun. de 2013

Estamos bem mesmo sem você?

Oi!!!

Escrevi depois de ver um filme que não lembro o nome...



Presenças e distanciamentos.

O que é mais pernicioso?

Estar perto é infeccionar-se com a existência alheia,

é espelhar igualdades e refletir diferenças.

É ter que negociar destinos em conjunto.

Estar longe é manter-se isolado.

É livrar-se dos inconvenientes;

mas ter que dialogar com o espelho.

É livre.

Mas há destino?

Estamos bem?

Sidnei Akiyoshi

25 de jun. de 2013

Partidos políticos: cuma?

Oi!!!

   Em sequência aos posts políticos, que naturalmente se fazem necessário, hoje venho falar de partidos políticos. Muito pela hostilização que tiveram nas últimas manifestações. Mas o que é um partido político: "União voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada e com disciplina, visando a disputa do poder político" (NILDO, Viana). É bem claro a definição. Vale lembrar que no Brasil não pode existir o Partido Nazista, o Fascista e o Monarquista.

   Agora, por que da hostilização aos partidos políticos? Bem, isso é complicado mas tentarei colocar o pouco que eu entendo. Primeiramente o brasileiro não tem o costume de se organizar em grupos, e quando se une a burocracia acaba os afastando. Afinal para ser organizada e com disciplina é necessário ter regras que geram a burocracia. Para quem conhece o funcionamento de uma assembleia, por exemplo, sabe que mesmo com regras é possível manipular através da burocracia. É o que eu chamaria de vencer pelo cansaço. Mas o que mais contribui para a negação aos partidos políticos são as afinidades ideológicas e políticas. As siglas em geram expressão as ideologias; PCdoB (Partido Comunista do Brasil) é a grosso modo aqueles que seguem a ideologia comunista, mais estatais; PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) que, a grosso modo também, são os que defendem uma ideologia de centro, ou um meio termo entre estatal e privado. Como em geral as pessoas não entendem de ideologia política, não escolhe nenhum.





Visão do brasileiro sobre partidos políticos.

   Mas os que tem alguma noção também estão descontentes. Aí temos duas coisas: o descompasso entre o que pregam e o que fazem, ou seja, você escolhe um partido pensando que ele fará uma coisa mas quando chega ao poder faz outra, desviando de sua ideologia. Outra coisa é a particularização das ideologias dentro dos partidos, onde cada político individualmente vota de acordo com os seus interesses, mesmo que contrário aos interesses do partido. Com isso tudo fica difícil para o cidadão comum "tomar partido". Isso sem contar as manobras do "toma lá, dá cá", ou seja você vota comigo nisso que depois eu voto naquilo com você. (No filme MILK, isso dá para ver bem claro como funciona). E eu acredito que isso seja o que mais deixa os eleitores desgostosos com os políticos.


   Talvez por isso a tão falada Reforma Política se faz necessário, e onde o voto distrital talvez seja a mudança mais importante, pois significa que o candidato que vai te representar seja da sua região e não aqueles mais votados na capital, ou pior, aqueles que se elegem com o voto dos outros. Mas existem muitos outros pontos da Reforma Política que devem ser debatidos.

   Mas para finalizar eu diria que o principal fator para não participação em Partidos Políticos seja a burocracia. Afinal, quem gosta?

Sidnei Akiyoshi

20 de jun. de 2013

Como funciona o Estado?

Oi!!!

   Os R$0,20 já foram reduzidos. Mérito desse povo todo que saiu às ruas para se manifestar. Mas isso é bem pontual e qualquer governante consegue transferir verbas de alguma outra área, ou da mesma, para cobrir esse "desfalque". "E agora Jose?" Como diria nosso querido Drummond.
   Vejo outras pautas nas reivindicações como a PEC-37, fim da corrupção e até impeachment. Mas isso é muito mais complexo do que se pode se imaginar. Lembro quando fizemos uma greve de alunos na FFLCH-USP por mais professores. Foram 106 dias de greve, com muitas manifestações, até conseguirmos a contratação de 92 professores para a faculdade, na pauta eram 256. Mesmo assim foi uma vitória, pois cursos que fechariam, não fecharam.
   Mas para conseguirmos isso, além das manifestações, foram muitas reuniões, assembleias, e principalmente, comissões. Foi através delas que as conquistas surgiram. Nelas eram estudados os regimentos da FFLCH e da USP e encontrado as brechas jurídicas para obrigar o Estado a intervir e assim ser liberada a contratação.


   Bradam que nas urnas se fará a diferença. Acho isso uma falácia, pois o sistema está viciado. Independente de quem entrar, se não entrar no sistema será engolido por ele. Pois muita coisa errada em política, na verdade é feita na legalidade, utilizando as brechas que existem nas leis. Por isso digo, o próximo passo é entender o funcionamento do Estado, para daí saber onde atuar como cidadão. Isso dá trabalho? Sim é muito trabalhoso. Mas pode-se unir a outros que estavam acordados antes já fazendo isso. Mas em casa mesmo você já pode começar... aposto que nunca nem pegou a constituição brasileira na mão. Pode começar por aí, saber os direitos e deveres seus e de quem você coloca para governar.
Boa leitura.

Sidnei Akiyoshi

15 de jun. de 2013

Enquanto eu tenho R$0,20 ou o porque da classe média não ir às ruas.

Oi!!!

   É impossível ficar impassível aos acontecimentos dos últimos dias em São Paulo. Já comentei, postei, curti muitas coisa sobre isso. Mas de tudo o que mais me chateia são os comentários de uma classe média que se indigna com manifestação. Poderia aqui colocar inúmeros argumentos e exemplos a favor da manifestação, mas vou inverter, vamos falar porque não manifestar.
   Vamos entender primeiro a estrutura de uma classe média, a chamada classe B-C. Não estou falando de classe média alta, aqueles dos sofás de R$4.000,00. Mas daqueles que ganham entre 2 e 10 mil. Existem desde trabalhadores de fábrica até profissionais liberais, então é um público amplo e heterogêneo. Para eles o sistema em vigor não é perfeito (prefeririam um Thatcherismo bem Neo-liberal com Estado Mínimo) mas é o que tem e se adaptam com certa facilidade a ele. Têm aversão a Comunismo, Socialismo, Marxismo ou qualquer Ismo que tenha vermelho em sua bandeira. Hoje eu entendo que vivemos em uma social-democracia levemente de esquerda, pois você tem saúde e educação (que é o básico) gratuita para todos (conseguir são outros quinhentos).
  Com esse perfil da classe média e de governo bem superficial, já e suficiente para entender o mecanismo. O indivíduo dessa classe precisa se locomover para seu trabalho (isso ele conquistou a duras penas, mérito dele), mas o transporte coletivo é deficitário, ele compra um carro à prestação. Ficará preso no trânsito mas sabe que terá como chegar ao seu trabalho para poder pagar o carro. Fica doente e não consegue atendimento ágil pelo SUS, ele paga um plano básico de saúde para ser atendido. Seu filho precisa estudar mas a escola é precária, tanto em espaço, como material, como professores, ele paga um colégio particular. Com a aquisição desses bens ele se sente inseguro com a segurança pública, e muda-se para um condomínio fechado e paga um guardinha para ficar numa guarita.

Marcha pela Família, Trabalho e Propriedade com Deus.


   Enquanto ele conseguir espremer seus R$0,20 centavos para pagar isso tudo, que numa social-democracia deveria ser fornecido pelo Estado (não os R$0,20 centavos), pois é direito básico, ele continua preferindo essas soluções individuais, pois se esses R$0,20 centavos dá para pagar isso, ele prefere, pois cobra desse setor privado e não precisa ir às ruas pedir para o Governo fornecer. O que esse indivíduo não entende, é que abaixo dele exista outras classes, aproximadamente 40% da população brasileira, que não têm acesso a esses R$0,20 centavos e nenhuma perspectiva de conseguir. Essa parcela também não sai às ruas para manifestar, pois o desejo dela é também ter acesso aos R$0,20 centavos. Resta uma pequena parcela de pessoas que entendem que todos deviam ter acesso a pelo menos R$0,20 centavos, para ter estudo e poder escolher a melhor forma de manifestação para ter o básico e não precisar gastar esses R$0,20 centavos com isso.
   Ps: R$0,20 centavos é uma metáfora, ok?

Sidnei Akiyoshi

10 de jun. de 2013

Que pobreza!

Oi!!!

   Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre ser pobre, pobre no sentido mais literal da palavra, aquele que não tem dinheiro. Sim, eu sou pobre. Como sei isso? Não tenho casa própria, não tenho carro, não tenho moto, nem sequer uma bicicleta (só dividas). Não tenho um trabalho de carteira assinada (terei um, mas estou ressabiado disso, afinal será como professor do estado....uuuuuu), ou seja, não tenho salário, nem vale comida, nem vale transporte, nem plano de saúde, não tenho nada. Estão se perguntando: "mas como ele vive?". Também me pergunto isso. Mas eventualmente até vendo um trabalho meu, pra quem não sabe sou artista plástico, mas isso não é muita coisa, não mesmo. Acho que posso até me candidatar ao Bolsa Família, não tinha pensado nisso....
   É ruim? Sim, é ruim. Tem dia que preciso contar moedas para comprar pão. Nunca fui ambicioso, nunca quis ser engenheiro, advogado, médico, essa profissões com bons salários. Sempre me vi fazendo algo mais prazeroso, não necessariamente menos trabalhoso, mas com certeza menos rentável. Gosto da ideia do Domani, que diz que deveríamos trabalhar 20 horas por semana para no resto do tempo fazermos o que realmente é importante na vida (cada um deve saber aquilo que é importante para si).

 "Índia Tapuia" - Albert Eckhout

   Mas hoje queria refletir um pouco sobre essa extrema pobreza. Pois a pobreza em si não é tão ruim, mas em situação extrema, é nociva; para o dia-a-dia, para a mente, para o social, para a vida. Hoje penso sobre o que escreveu Hobbes, que o homem é o lobo do homem, ou seja, que se não for saciada as necessidades mais básicas, o animal prevalece. E mesmo meu animal irracional é pobre, me penso muito mais como uma hiena roubando carniça, do que um lobo destroçando uma ovelha.
   Bem, mas agora vou pintar um pouco, afinal sempre há a esperança de vender um quadro...e ficar menos pobre.

Sidnei Akiyoshi