20 de jul. de 2013

O tecido da amizade.

Oi!!!

Como é dia do amigo, um texto teórico sobre amizade, de J.P. Vernant no livro Entre mito e política.



   "Existimos com e pelos outros, que, ao mesmo tempo, são e não são como nós. (...). É assim também que se tece a amizade, por meios de percursos mais ou menos difíceis, de fracassos, de contra-sensos, de retomadas... Não existe imediato nos homens, tudo acontece por meio de construções simbólicas.
   Por vezes, também, é preciso dar umas tesouradas no tecido, mesmo com pessoas que gostamos muito, cortar para que o tecido continue.
   (...)
   ..., que são amigos aqueles com os quais temos as coisas essenciais em comum: as lembranças, as experiências, os valores... Dizer que entre amigos tudo é comum significa que existe, como na cidade grega, uma relação particular de igualdade em virtude da qual a própria vida privada, ao menos em muitos de seus componentes, é compartilhada com os outros; não é só porque podemos dizer aos amigos coisas que não diríamos a outros; mas as recordações, as alegrias, as tristezas, que nada têm a ver com o domínio público, no sentido grego do termo, e sim com o que eu chamaria de próprio, particular, são vivenciadas na participação com os outros em uma relação de troca igualitária.
   Com efeito, a igualdade é fundamental na amizade. Quando se é amigo, mesmo se existir discordância ou rivalidade, é-se igual. Para um grego, só é possível ter amizade por alguém que é, de alguma forma, um semelhante: um grego para outro grego, um cidadão para com outro cidadão."

Sidnei Akiyoshi

16 de jul. de 2013

Onde quer chegar?

Oi!!!



Alice: Você poderia me dizer, por favor, qual o caminho para sair daqui?“
Gato que sorri: Depende muito de onde você quer chegar
Alice: Não me importa muito onde...
Gato que Sorri: Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá
Alice: desde que eu chegue a algum lugar
Gato que Sorri: Oh, esteja certa de que isso ocorrerá, desde que você caminhe o bastante.”
   Eu acho que o mal da maioria das pessoas é não saber onde quer chegar. Eu sempre me questiono onde estarei daqui a um, cinco e dez anos. Faço isso desde os 20 anos e quase sempre cheguei onde queria. Sei que isso é difícil de fazer, mas em geral, as pessoas nem tentam. Isso serve, primeiramente, para a vida pessoal. Pode começar separando: trabalho, estudos, diversão, viagens, coisas, amores; tá, esse último confesso que é bem mais complicado, mas pode começar pensando, não no que você quer n@ outr@, mas no que abrirá mão pel@ outr@.

   Mas depois pode expandir isso para o coletivo. Onde você quer que as suas coletividades estejam daqui a um, cinco e dez anos. Desde a sua família até o seu país. Falo isso por uma pequena reflexão sobre as manifestações, e mais precisamente, pelos cartazes. Em geral as pessoas sabem o que não querem, mas não tem muita ideia do que querem. Mas é bom lembrar que querer é um sentimento de volição, de desejo; você pode querer o impossível, é plausível, pois é um desejo. Mas em geral o querer vem junto com o merecer, e mais em geral ainda não merecemos o que queremos; pois merecimento requer empenho, trabalho, e na maioria das vezes isso não é feito. É como ganhar a sobremesa SE comer o brócolis, como viajar para Paris SE economizar dinheiro, como ter um país melhor SE se engajar eticamente em política; e tudo isso requer empenho: comer aquela coisa verde, não gastar com supérfluos, dedicar uma parte do seu tempo.

   Eu sei que os meus próximos dez anos vão ser dedicados ao trabalho e consequentemente aquisição de bens e economia. Como isso se dará, está se encaminhando, pois os caminhos só são decididos depois do destino.

Sidnei Akiyoshi

11 de jul. de 2013

Continuidade

Oi!!!

   Já falei aqui sobre aceitar os próprios erros. Isso é bom e resolve boa parte dos problemas, pois ou você aceita o erro e resolve ou aceita que ele é irremediável e desencana. Lembrando que para resolver algo existem dezenas de maneiras, desde o pega e faz até o manda fazer.

   Aceitei que tenho erro de continuidade. Como nos filmes, em que o personagem principal sai de casa com uma camisa branca e aparece logo em seguida com uma vermelha (no caso não era um filme tipo walking dead), então entendemos que em algum momento houve a troca e nós observadores do filme não fomos informados. Pois eu tenho isso.



   Em empreendedorismo isso se chama perder o foco, mudar o rumo, desviar de objetivos, mas no linguajar popular podemos dizer que é o famoso: começa mas não termina. Eu diria sim e não, pois olhando de pertinho parece caótico, mas no macro até que faz sentido. É que quando olhamos de forma mais administrativa as metas parecem não fazer sentido, pois em geral na minha vida elas não são mensuráveis. Por exemplo: ter um carro é algo mensurável, ele custa tanto para comprar e tanto para manter, bem simples de entender. Agora quando falamos em conhecimento... começa a complicar. Internet exemplifica bem isso, você começa procurando qual tipo de incenso é bom para concentração e acaba lendo sobre a confecção de turíbulos na Idade Média. Pois uma coisa puxa a outra e quando se vê está tudo entrelaçado. E isso se comprova fazendo um simples "mind map": aprender inglês - mestrado - artes plásticas - literatura - contar histórias (em inglês?).

   Estou pensando em mensurar esse conhecimento. Só assim deixarei de perder a continuidade. E como vou começar a lecionar, refleti que uma das formas de medir se aprendeu é se sabe passar esse conhecimento. Talvez não seja o melhor método, talvez eu precise de uns 200 anos ou talvez eu compre uma camisa vermelha. Vamos ver a continuidade disso. Com certeza não virá o Oscar de melhor figurino, mas é bem provável que venha o de melhor roteiro original.

Sidnei Akiyoshi

5 de jul. de 2013

"Humores" texto da exposição.

Oi!!!

Segue o texto da minha exposição "Humores" que está no Venezianos Pub em Porto Alegre até dia 22/07.





Humores - Encáustica sobre tela - 60x80 cm - 2013




“Humores“

            Essa exposição “Humores”, reuni algumas obras que fazem parte dos meus estudos recentes em arte, onde faço uma relação entre arte-corpo-sociedade. Duas técnicas aparecem em preponderância: a encáustica e a colagem.  Como estudos, as peças são feitas em tamanho reduzido, o que ajuda no entendimento da técnica como no desenvolvimento das ideias.

            O corpo surge como elemento disparador da criação. De sua pele às entranhas, tudo é motivo para pensar o corpo como elemento intrínseco à arte. Dissecada as materialidades é necessário observar como elas se relacionam com a sociedade, como diz Merleau-Ponty: “O enigma consiste em meu corpo ser ao mesmo tempo vidente e visível. Ele que olha todas as coisas, pode também se olhar, e reconhecer no que vê então o “outro lado” de seu poder vidente. Ele se vê vidente, ele se toca tocante, é visível e sensível para si mesmo. É um si, não por transparência, como o pensamento, que só pensa seja o que for assimilando-o, constituindo-o, transformando-o em pensamento – mas um si por confusão, por narcisismo, inerência daquele que vê ao que ele vê, daquele que toca ao que ele toca, do senciente ao sentido – um si que é tomado portanto entre coisas, que tem uma face e um dorso, um passado e um futuro...”. Um corpo que se vê do avesso e extrapola seus humores para além das aparências.

            Segundo Hipókrates, o pai da medicina, existem quatro tipos de humores:  A bile amarela (humor colérico), bile negra (melancolia), sangue (sanguíneo, alegre)e fleugma (fleugmático, frio). O desequilíbrio entre esses humores é o que gera as doenças, consequentemente o equilíbrio, saúde. Esses humores se refletem na sociedade, ora mais escondidos, ora se mostrando, mas o mais evidente: em total desequilíbrio. 

            Entre quente e frio, seco e úmido, essa exposição “Humores” tenta trazer um pouco da minha visão sobre o que é ou pretende ser nossa sociedade contemporânea, ou líquida, como diz Zygmunt Bauman.  Um sociedade que altera seus valores e se transforma rapidamente para se adaptar aos mais diferentes propósitos, sejam eles nobres ou devassos. Contanto que ao final, reste sempre um” bom” humor.

Sidnei Akiyoshi

30 de jun. de 2013

Estamos bem mesmo sem você?

Oi!!!

Escrevi depois de ver um filme que não lembro o nome...



Presenças e distanciamentos.

O que é mais pernicioso?

Estar perto é infeccionar-se com a existência alheia,

é espelhar igualdades e refletir diferenças.

É ter que negociar destinos em conjunto.

Estar longe é manter-se isolado.

É livrar-se dos inconvenientes;

mas ter que dialogar com o espelho.

É livre.

Mas há destino?

Estamos bem?

Sidnei Akiyoshi

25 de jun. de 2013

Partidos políticos: cuma?

Oi!!!

   Em sequência aos posts políticos, que naturalmente se fazem necessário, hoje venho falar de partidos políticos. Muito pela hostilização que tiveram nas últimas manifestações. Mas o que é um partido político: "União voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada e com disciplina, visando a disputa do poder político" (NILDO, Viana). É bem claro a definição. Vale lembrar que no Brasil não pode existir o Partido Nazista, o Fascista e o Monarquista.

   Agora, por que da hostilização aos partidos políticos? Bem, isso é complicado mas tentarei colocar o pouco que eu entendo. Primeiramente o brasileiro não tem o costume de se organizar em grupos, e quando se une a burocracia acaba os afastando. Afinal para ser organizada e com disciplina é necessário ter regras que geram a burocracia. Para quem conhece o funcionamento de uma assembleia, por exemplo, sabe que mesmo com regras é possível manipular através da burocracia. É o que eu chamaria de vencer pelo cansaço. Mas o que mais contribui para a negação aos partidos políticos são as afinidades ideológicas e políticas. As siglas em geram expressão as ideologias; PCdoB (Partido Comunista do Brasil) é a grosso modo aqueles que seguem a ideologia comunista, mais estatais; PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) que, a grosso modo também, são os que defendem uma ideologia de centro, ou um meio termo entre estatal e privado. Como em geral as pessoas não entendem de ideologia política, não escolhe nenhum.





Visão do brasileiro sobre partidos políticos.

   Mas os que tem alguma noção também estão descontentes. Aí temos duas coisas: o descompasso entre o que pregam e o que fazem, ou seja, você escolhe um partido pensando que ele fará uma coisa mas quando chega ao poder faz outra, desviando de sua ideologia. Outra coisa é a particularização das ideologias dentro dos partidos, onde cada político individualmente vota de acordo com os seus interesses, mesmo que contrário aos interesses do partido. Com isso tudo fica difícil para o cidadão comum "tomar partido". Isso sem contar as manobras do "toma lá, dá cá", ou seja você vota comigo nisso que depois eu voto naquilo com você. (No filme MILK, isso dá para ver bem claro como funciona). E eu acredito que isso seja o que mais deixa os eleitores desgostosos com os políticos.


   Talvez por isso a tão falada Reforma Política se faz necessário, e onde o voto distrital talvez seja a mudança mais importante, pois significa que o candidato que vai te representar seja da sua região e não aqueles mais votados na capital, ou pior, aqueles que se elegem com o voto dos outros. Mas existem muitos outros pontos da Reforma Política que devem ser debatidos.

   Mas para finalizar eu diria que o principal fator para não participação em Partidos Políticos seja a burocracia. Afinal, quem gosta?

Sidnei Akiyoshi

20 de jun. de 2013

Como funciona o Estado?

Oi!!!

   Os R$0,20 já foram reduzidos. Mérito desse povo todo que saiu às ruas para se manifestar. Mas isso é bem pontual e qualquer governante consegue transferir verbas de alguma outra área, ou da mesma, para cobrir esse "desfalque". "E agora Jose?" Como diria nosso querido Drummond.
   Vejo outras pautas nas reivindicações como a PEC-37, fim da corrupção e até impeachment. Mas isso é muito mais complexo do que se pode se imaginar. Lembro quando fizemos uma greve de alunos na FFLCH-USP por mais professores. Foram 106 dias de greve, com muitas manifestações, até conseguirmos a contratação de 92 professores para a faculdade, na pauta eram 256. Mesmo assim foi uma vitória, pois cursos que fechariam, não fecharam.
   Mas para conseguirmos isso, além das manifestações, foram muitas reuniões, assembleias, e principalmente, comissões. Foi através delas que as conquistas surgiram. Nelas eram estudados os regimentos da FFLCH e da USP e encontrado as brechas jurídicas para obrigar o Estado a intervir e assim ser liberada a contratação.


   Bradam que nas urnas se fará a diferença. Acho isso uma falácia, pois o sistema está viciado. Independente de quem entrar, se não entrar no sistema será engolido por ele. Pois muita coisa errada em política, na verdade é feita na legalidade, utilizando as brechas que existem nas leis. Por isso digo, o próximo passo é entender o funcionamento do Estado, para daí saber onde atuar como cidadão. Isso dá trabalho? Sim é muito trabalhoso. Mas pode-se unir a outros que estavam acordados antes já fazendo isso. Mas em casa mesmo você já pode começar... aposto que nunca nem pegou a constituição brasileira na mão. Pode começar por aí, saber os direitos e deveres seus e de quem você coloca para governar.
Boa leitura.

Sidnei Akiyoshi

15 de jun. de 2013

Enquanto eu tenho R$0,20 ou o porque da classe média não ir às ruas.

Oi!!!

   É impossível ficar impassível aos acontecimentos dos últimos dias em São Paulo. Já comentei, postei, curti muitas coisa sobre isso. Mas de tudo o que mais me chateia são os comentários de uma classe média que se indigna com manifestação. Poderia aqui colocar inúmeros argumentos e exemplos a favor da manifestação, mas vou inverter, vamos falar porque não manifestar.
   Vamos entender primeiro a estrutura de uma classe média, a chamada classe B-C. Não estou falando de classe média alta, aqueles dos sofás de R$4.000,00. Mas daqueles que ganham entre 2 e 10 mil. Existem desde trabalhadores de fábrica até profissionais liberais, então é um público amplo e heterogêneo. Para eles o sistema em vigor não é perfeito (prefeririam um Thatcherismo bem Neo-liberal com Estado Mínimo) mas é o que tem e se adaptam com certa facilidade a ele. Têm aversão a Comunismo, Socialismo, Marxismo ou qualquer Ismo que tenha vermelho em sua bandeira. Hoje eu entendo que vivemos em uma social-democracia levemente de esquerda, pois você tem saúde e educação (que é o básico) gratuita para todos (conseguir são outros quinhentos).
  Com esse perfil da classe média e de governo bem superficial, já e suficiente para entender o mecanismo. O indivíduo dessa classe precisa se locomover para seu trabalho (isso ele conquistou a duras penas, mérito dele), mas o transporte coletivo é deficitário, ele compra um carro à prestação. Ficará preso no trânsito mas sabe que terá como chegar ao seu trabalho para poder pagar o carro. Fica doente e não consegue atendimento ágil pelo SUS, ele paga um plano básico de saúde para ser atendido. Seu filho precisa estudar mas a escola é precária, tanto em espaço, como material, como professores, ele paga um colégio particular. Com a aquisição desses bens ele se sente inseguro com a segurança pública, e muda-se para um condomínio fechado e paga um guardinha para ficar numa guarita.

Marcha pela Família, Trabalho e Propriedade com Deus.


   Enquanto ele conseguir espremer seus R$0,20 centavos para pagar isso tudo, que numa social-democracia deveria ser fornecido pelo Estado (não os R$0,20 centavos), pois é direito básico, ele continua preferindo essas soluções individuais, pois se esses R$0,20 centavos dá para pagar isso, ele prefere, pois cobra desse setor privado e não precisa ir às ruas pedir para o Governo fornecer. O que esse indivíduo não entende, é que abaixo dele exista outras classes, aproximadamente 40% da população brasileira, que não têm acesso a esses R$0,20 centavos e nenhuma perspectiva de conseguir. Essa parcela também não sai às ruas para manifestar, pois o desejo dela é também ter acesso aos R$0,20 centavos. Resta uma pequena parcela de pessoas que entendem que todos deviam ter acesso a pelo menos R$0,20 centavos, para ter estudo e poder escolher a melhor forma de manifestação para ter o básico e não precisar gastar esses R$0,20 centavos com isso.
   Ps: R$0,20 centavos é uma metáfora, ok?

Sidnei Akiyoshi

10 de jun. de 2013

Que pobreza!

Oi!!!

   Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre ser pobre, pobre no sentido mais literal da palavra, aquele que não tem dinheiro. Sim, eu sou pobre. Como sei isso? Não tenho casa própria, não tenho carro, não tenho moto, nem sequer uma bicicleta (só dividas). Não tenho um trabalho de carteira assinada (terei um, mas estou ressabiado disso, afinal será como professor do estado....uuuuuu), ou seja, não tenho salário, nem vale comida, nem vale transporte, nem plano de saúde, não tenho nada. Estão se perguntando: "mas como ele vive?". Também me pergunto isso. Mas eventualmente até vendo um trabalho meu, pra quem não sabe sou artista plástico, mas isso não é muita coisa, não mesmo. Acho que posso até me candidatar ao Bolsa Família, não tinha pensado nisso....
   É ruim? Sim, é ruim. Tem dia que preciso contar moedas para comprar pão. Nunca fui ambicioso, nunca quis ser engenheiro, advogado, médico, essa profissões com bons salários. Sempre me vi fazendo algo mais prazeroso, não necessariamente menos trabalhoso, mas com certeza menos rentável. Gosto da ideia do Domani, que diz que deveríamos trabalhar 20 horas por semana para no resto do tempo fazermos o que realmente é importante na vida (cada um deve saber aquilo que é importante para si).

 "Índia Tapuia" - Albert Eckhout

   Mas hoje queria refletir um pouco sobre essa extrema pobreza. Pois a pobreza em si não é tão ruim, mas em situação extrema, é nociva; para o dia-a-dia, para a mente, para o social, para a vida. Hoje penso sobre o que escreveu Hobbes, que o homem é o lobo do homem, ou seja, que se não for saciada as necessidades mais básicas, o animal prevalece. E mesmo meu animal irracional é pobre, me penso muito mais como uma hiena roubando carniça, do que um lobo destroçando uma ovelha.
   Bem, mas agora vou pintar um pouco, afinal sempre há a esperança de vender um quadro...e ficar menos pobre.

Sidnei Akiyoshi

5 de jun. de 2013

A coxinha bege.

Oi!!!

   Esses dias eu li um artigo muito bom sobre o que é ser coxinha. Aquela pessoa que nasce, estuda direitinho, faz inglês, faz uma faculdade, casa, tem filhos, compra apartamento, carro e viaja. Ou seja é o estereótipo de uma pessoa extremamente comum da classe média. E o que é que tem de errado nisso? Não está perfeita? Essa é a questão, está certo demais. Esta perfeição só existe dentro de uma bolha blindada da vida.
   Vamos exemplificar algumas coisa, eu chamo esse tipo de vida de "nude", termo usado em modismo recente para designar algo discreto, elegante e chic. Pois essa pessoa mora num apartamento (geralmente próprio ou em pagamento) e sua decoração se resume em ter uma parede bege, com um sofá camurça, almofadas marrons e beges, tudo sobre um tapete ocre. Ah, tem os quadros de reprodução de um artista pop famoso (em geral Picasso, Matisse ou Miró) comprado em uma das viagens. Mas pensa, seriamente, em adquirir uma reprodução de Romero Brito. Suas roupas seguem o mesmo padrão. Filmes e teatro só assistem os de comédia e romance, pois dramas mostram cenas de violência, fome, doença, e pasmem, morte - afinal quem assiste um filme em que alguém morre, só se for ficção.



   Você também não sabe o que tem de errado nisso? São essas pessoas que acham que ônibus atrapalho o trânsito, que mendigo é praga, que albergue de morador de rua é legal contanto que não seja no bairro dela, que bandido bom é bandido morto e que o mundo devia ser privatizado. Isso mostra o quanto essas pessoas vivem ilusões e não querem que sua bolha seja estourada, se inunda uma favela por onde ela é obrigada a passar para o trabalho, ela torce para que isso não atrapalhe o trânsito na manhã seguinte.
   O filme Beleza Americana retrata muito bem esse conceito e a rosa do filme exemplifica perfeitamente: uma flor linda, vermelha, perfeita, sem espinhos e sem cheiro. Só a aparência importa.

Sidnei Akiyoshi

30 de mai. de 2013

Silêncio

Pequeno Esclarecimento

   Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio – um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio… Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

Mario Quitana

Silêncio.

   Existem vários tipos de silêncios. Que podem ser silêncios de ira ao silêncio meditativo. Nos tempos contemporâneos isso é visto de forma negativa; como, no tempo da informação, pode existir alguém querendo não falar? E tem gente que fala pelos cotovelos, sem dar bola para a máxima de que o silêncio é de ouro.
   Hoje venho pedir que calem a boca. Sei que assim, de supetão, soa duro. Mas muitas vezes é um mal necessário. Respira e vá fazer silêncio, existem várias formas de fazer silêncio; lendo um livro, ouvindo uma música, fazendo um doce incrivelmente delicioso, cuidando de um pequeno jardim, caminhando.
   Hoje vim falar disso, mas queria muito ficar em silêncio. Pois no silêncio algumas pessoas ficam azuis, e outras de súbito, até levitam.


Sidnei Akiyoshi

25 de mai. de 2013

LIMBO

Oi!!!

   Vamos jogar vídeo game???

   Eu particularmente gosto de jogos em geral; podem ser em tabuleiros, cartas, RPG, de rua e vídeo games. Não jogo tanto quanto gostaria pois tenho certa tendência a viciar, quem assiste Big Bang Teory entendo um pouco sobre o que estou falando. Então, me mantenho em um afastamento seguro. Mas essa postagem não é sobre vício ou a tentativa de criar um grupo on-line para jogar tudo o que aparecer...simmmm jogar, jogar, jogar....(pausa para o remedinho e limpar a baba, rsrsrs).
   Vim falar sobre um jogo específico que foi lançado ano passado: LIMBO. Eu ainda não joguei, mas já vi trechos dele no you-tube. É um jogo bem simples, nada desses jogos 3D com super definição, repletos de personagens e cenários deslumbrantes. Ele usa aquele tipo de jogo que é um bonequinho que corre da esquerda para a direita e pula, nem sequer atira. Até aí, tudo normal, o que surpreende é a temática. Uma criancinha que corre por um local desolado, iniciando numa floresta, em contraste num fundo esfumaçado que dele vemos apenas o contorno e o brilho dos olhos.
   É desolador ver o personagem correndo sem a gente saber exatamente o que ele procura, talvez apenas procure sobreviver. O jogo é de um silêncio absurdo, repleto de perigos, como aranhas gigantes, buracos, coisas desabando, seres chupando seus cérebros. Tem um trecho que atravessa um lago cheio de corpos de outras crianças, e descobre que ele será mais um. É uma fase difícil de passar, até descobrir que tem que pegar o corpo dessas crianças e jogar na armadilha para desativar.
   Mas apesar de parecer um jogo violento, não é. Reflete muito o que escrevo aqui, essa solidão, essa falta de perspectiva, essa sensação de que corremos para chegar a lugar nenhum. Vejam esse trechinho, na internet tem partes mais completas. E se forem jogar me chamem, to louco para jogar esse!!!


Sidnei Akiyoshi

20 de mai. de 2013

Cartas.

Oi!!!

   Hoje pensei muito sobre o que escrever aqui no blog, e nada vinha à mente. Nada que eu quisesse escrever, obviamente. Olhando para minha escrivaninha, pensei: se fosse uma carta não estaria nesse dilema, sempre há o que dizer numa carta. Nisso lembrei do projeto que ora eu me empenho mais, ora deixo um pouco de lado, mas nunca abandono; os "Amigos de papel". É assim que chamo as pessoas com quem troco correspondências (sim, cartas escritas à mão e enviadas pelo correio), tinha até umas regras; por exemplo: não escrever mais do que uma folha por carta. Isso é bom pois leva a mandar mais cartas; quando não tiver nada para escrever, mande três palavras de presente (isso eu sempre faço), afinal mais do o conteúdo, o receber uma carta é algo tão bom, tão bom, que devia fazer parte da cesta-básica para uma vida feliz.
   Tenho guardada mais de uma centena delas. Sim, troquei muitas cartas já. Meus amigos até ficam com vergonha de me responder pois uso meus rascunhos de desenhos como papel, e sempre têm um toque artístico nelas, mas é para que o prazer em ler seja ampliado e o desejo em responder mais ainda. Vou ressaltar aqui, receber uma carta escrita à mão de alguém querido seu é uma experiência única, em tempos contemporâneos repletos de tecnologias imediatistas soa como encontrar o bilhete premiado no chocolate Wonka.
   Experimente isso, troque cartas com alguém. Você verá que o que digo é a mais pura verdade. Mas deixa eu ir, ainda tenho umas cartas para escrever.

   E sim, eu tenho pena, tenho tinteiro, variados papéis de carta, cera de lacre, só falto um sinete (aceito presentes).

Sidnei Akiyoshi

15 de mai. de 2013

Ao mestre.

Oi!!!

   Hoje vou postar uma tradução de um texto de um poeta grego antigo, Anacreonte, feita pelo Prof. Antonio Medina Rodrigues que infelizmente desceu ao Hades essa semana. Esse poema representa bem o espírito desse professor, brincalhão mas apaixonado pelo que fazia. Gozava a vida com deleite, esticando a primavera o mais que podia. São pessoas como ele que nos fazem olhar a vida por um outro prisma, fora dessas caixinhas chatas.

Sidnei Akiyoshi


Anacreonte # 2

1.
Traz essa taça, ó rapazinho,
Para que agora um trago eu prove,
E cinco doses põe de vinho,
Uma de água com mais nove.
Eu decidi, sem insolência,
Honrar a Baco em compromisso,
Dispenso agora a exigência,
O formalismo, e mais serviço!
Não quero claque ou audiência. [Fr.4 Diehl]

2.
Detesto quem evoca
Prantos da fera guerra,
Enquanto os lábios molha
Ao vinho da cratera.
Por isso eu amo quem
Mistura Musa e Vênus,
E os dons da farra tem,
Esplêndidos, serenos.

3.
Alva me restou a fronte,
Me são têmporas grisalhas,
Vão meus verdes anos: onde?
Já meus dentes são limalha!
Resta-me viver da vida
Um sopro que vai morrendo,
Por que choro sem guarida?
Pelo Tártaro, que é horrendo.
Mas terrível é que a ida
Não tem volta, é só descendo

Trad. Antonio Medina Rodrigues.

10 de mai. de 2013

Made in China

Oi!!!

   Espiritualidade. Esse tema tem rondado pessoas próximas a mim nesses últimos tempos, mas em verdade isso sempre me rondou. Não falo de religião especificamente, mas de espiritualidade. O que em geral as pessoas vão buscar dentro de uma religião, para se religarem ao plano espiritual. E que no fundo, basicamente, é uma preparação para a morte.
   Mas como ser espiritualizado num mundo contemporâneo? Onde o consumismo cada vez maior e mais fácil impulsiona as pessoas a uma vida materialista, o "made in china" veio para democratizar todo e qualquer produto de desejo, de cueca a celular. E cada vez mais as pessoas lotam igrejas, templos e terreiros para pedir mais dinheiro para ter mais objetos de desejo; afinal não têm nenhuma garantia de que no paraíso vá ter o perfume que gostam, melhor prevenir e levar um junto, unzinho passa na alfândega do paraíso.
   É o que eu digo, nessa contemporaneidade o desejo é o bem mais consumido, que segundo Jung é o que leva a felicidade, e assim que satisfazê-lo, substitui-se por outro desejo e assim infinitamente, pois não amamos o que temos mas sim o que desejamos. Mas e a espiritualidade no meio disso tudo? Pois é, eu que sou avesso a religiões, sempre estive a procura da minha espiritualidade; e não é que encontrei algo made in china!!! Sim, dentro da filosofia chinesa existe o Taoísmo e acho que vou me dar bem com ele. A prática recorrente: meditação. Vai ser uma luta meditar em tempos contemporâneos, mas depois eu conto aqui. E você já se espiritualizou? Soube de uma leva de objetos sagrados para adoração made in china, corre lá, é baratinho.
Sidnei Akiyoshi

Por que tão no alto...

5 de mai. de 2013

Aceite! A culpa é sua.

Oi!!!

   Hoje eu vou relembrar minha terapia. Sim terapia é algo que ajuda e muito em nossas vidas, recomendo. Eu fiz uma chamada filosofia clínica, que consiste em você contar sua história repetidas vezes e com isso o terapeuta vai mostrando onde você funciona e onde não. Um dos pontos que julgo fundamentais foi a descoberta da culpa, ou responsabilidade, ou simplesmente admitir que estava errado. Somos criados com uma espécie de terceirização da culpa. Vamos exemplificar: chegar atrasado a um encontro, qualquer um. Geralmente chegamos com frases do tipo: estava um trânsito; o despertador não tocou; foi difícil achar uma vaga para estacionar; choveu; e assim por diante. Em geral não assumimos a culpa, terceirizamos (seriam tempos de neoliberalismo?). Comecei a prestar mais atenção onde terceirizava minhas culpas e comecei a assumi-las, talvez o atraso seja a mais comum delas mas também a mais desagradável, pois envolve terceiros. E aquela desculpa de ter atrasado só dez minutos é falsa, pois a pessoa chegou dez minutos antes, portanto já está te esperando a vinte. E desculpas funciona quando acontece uma ou outra vez, mais que isso é desrespeito. Portanto tem que focar em aceitar seu erro e localizar o que você faz que gera ele. No caso do atraso é razoavelmente simples, sair mais cedo já resolve mais da metade dos atrasos. E isso vale para todo a vida, de ganhar uns quilos a mais à corrupção no país. Sim, é tudo culpa minha.

Sidnei Akiyoshi


30 de abr. de 2013

Cé-re-bro...

Oi!!!

   As vezes eu tenho a sensação de estar perdido na vida. Sabe quando você para e olha para o lado e vê todo mundo caminhando no automático? Não importa fazendo o que: trabalho, estudos, família, diversão; há aquela sensação de que fazem porquê tem de fazer, como se não tivessem escolha. Uma anestesia geral.Eu tenho isso com uma certa frequência e os disparadores são bem diversos, mas praticamente todos são relacionados à arte. Seja um quadro, um livro ou um filme. Na maioria das vezes falta um interlocutor para partilhar isso e você fica assim, com cara de bobo, rodeado de mortos vivos.


20 de abr. de 2013

An empty cup of coffee.

Oi!!!

   Estava sentado em frente ao computador olhando imagens a esmo. Não que houvesse real interesse, apenas tentava prender algo com qualquer outro algo. Aquilo já perdurava mais que um pacote de bolachas e um resto de café frio. O telefone cumpre sua função de despertar, já são horas de levantar, fazer um café, sair. Continuo olhando imagens, pulando de página em página. Numa distração ou erro, fecho o nevegador. Enfim, resolvo levantar, fazer um café, sair. Faço o café. Sento em frente ao computador para ver imagens a esmo.


Sidnei Akiyoshi

15 de abr. de 2013

Aquarelência

Oi!!!

   Hoje olhando essa aquarela de Stan Miller decidi falar um pouco sobre paciência.
   Quem nunca trabalhou com aquarela não tem noção de como é difícil. Sempre digo a meus alunos que aquarela é a última técnica que eles devem aprender, a pintura a óleo é a primeira, pois permite que você erre a vontade. A aquarela não. Pintar uma aquarela requer em primeiro lugar um bom material: bons pincéis (um bom custa aproximadamente 150 reais), bons pigmentos (os em barra são os melhores) e principalmente bons suportes, ou seja, papéis de qualidade. É claro que você pode treinar com algo mais barato, mas a diferença de resultado é gritante. Depois, muita paciência. O princípio da aquarela é saber o que não pintar, pois são as áreas que ficarão em branco. Então você tem que treinar a pincelada exaustivamente, pois depois de feito não pode ser corrigido. As sobreposições tem que ser perfeitas para propiciar os escuros necessários. É quase um trabalho de vidente, pois se trabalha com água pigmentada sobre um superfície que vai sugar essa água, é você a mercê do destino, mas que você aprende com o tempo a saber os caminhos que ela percorre. Aí então, quando você controlar o futuro, saberá pintar uma aquarela.



   E a vida o que tem a ver com isso? Não há mais tempo para aquarela. Não há mais tempo para a paciência. Não há mais tempo. Tudo é muito fugaz. Tudo é muito imediato. Não há espaço nem para a pintura a óleo. Vivemos num tempo de Assemblage*, onde só o pronto é rápido é o suficiente.

Sidnei Akiyoshi

*Assemblage: O termo assemblage é incorporado às artes em 1953, cunhado pelo pintor e gravador francês Jean Dubuffet (1901-1985) para fazer referência a trabalhos que, segundo ele, "vão além das colagens". O princípio que orienta a feitura de assemblages é a "estética da acumulação": todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte. (Enciclopédia Itaú Cultural).


10 de abr. de 2013

50 coisas

Oi!!!

   Esses dias assisti a um programa de TV sobre organização da casa. Era um quartinho atulhado de coisas, principalmente sapatos. Mais da metade das coisas foram doadas ou jagadas fora.
   Isso é reflexo de nosso Neo-liberalismo implantando pela recem falecida Margaret Thatcher, onde todos devem comprar mais e mais para a economia girar. Pois quanto mais se compra, mais se produz, quanto mais se produz, mais barato fica, quanto mais barato mais se compra. Mas isso é pernicioso, pois não precisamos de tantas coisas. Com a tecnologia fica muito pior, a cada ano se faz necessário trocar tudo. Então quero que reflitam um pouco comigo:

SE PUDESSE TER APENAS 50 COISAS, O QUE VOCÊ TERIA?

Sidnei Akiyoshi